A guerra do pedágio
Veja-se a que ponto chegam os resultados de uma medida insensata tomada pelo governo estadual. Decorridos quatro anos da implantação do pedágio, que permitiu a seis concessionárias apropriar-se de rodovias de propriedade dos cidadãos e a cobrar tarifas sem realizar nenhuma obra de infra-estrutura a não ser as bancas de arrecadação agora o governo eleito vê-se na contingência de solicitar-lhes que não cobrem o aumento de dezembro, previsto nos contratos.
Quando o momento é de esperar-se substancial redução nas tarifas, o governo prestes a assumir assume posição de pedinte, quando deveria ser o árbitro da decisão, criando uma guerra jurídica e impedindo isto como primeiro medida que as concessionárias imponham o aumento deste ano. E as duas concessionárias que se declaram dispostas a reunir-se com o governador eleito Roberto Requião, para discutir a redução, ainda impõem condições, ao declarar que poderão concordar, se houver a contrapartida da ''diminuição de investimento'', significando que farão prevalecer os contratos e que não estão dispostas a ceder.
Não se sabe a que investimentos as concessionárias se referem, porque eles não passam das praças de coleta e de algumas passarelas e contornos, de valor insignificante em face da arrecadação já auferida. Valendo-se dos contratos celebrados, as concessionárias pouca importância dão ao problema do usuário, mesmo sabendo que alguns profissionais das estradas os caminhoneiros deixam a maior parte do seu lucro nos guichês do pedágio. Caso de um caminhão de cinco eixos, que faz o trajeto de Foz do Iguaçu ao Porto de Paranaguá e repassa às beneficiárias do pedágio R$ 346,00 com ida e retorno. Esta é praticamente a renda líquida do transportador, quando não acontecem outros eventuais transtornos no percurso.
É posição do governador eleito que as tarifas do pedágio precisam ser revistas e cobradas de acordo com os serviços prestados, o que significa, seguindo essa proporcionalidade, a baixa das taxas a frações de real, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o usuário paga centavos de dólar, oscilando conforme certas eventualidades. O governador eleito Roberto Requião tem dito referindo-se inclusive à possibilidade de rescindir contratos que não há direito adquirido quando ele é usurpado dos cidadãos. A população espera do novo governante decisões heróicas e corajosas, porque são muitos os pontos frágeis desses esdrúxulos acordos, a ponto de alguns proeminentes juristas os qualificarem de inconstitucionais.





