Sempre que se fala em violência urbana, um dos mais gritantes dramas sociais do Brasil atual, em geral se pensa no crime organizado que transforma inocentes em reféns, converte meninos em bandidos precoces e institui a rotina das chacinas nas grandes cidades brasileiras. Mas o trânsito é outra face da violência urbana que ameaça, fere e mata inocentes todos os dias no Brasil inteiro. A diferença é que, para reduzir o assombroso número de 30 mil mortes por ano nas estradas do País, parte da solução está nas mãos e consciências de nós mesmos, motoristas e pedestres.
Muito sofrimento pode ser simplesmente eliminado com um pouco mais de sensatez ao volante. A Associação Brasileira de Qualidade Educacional de Trânsito (Abqtran) tem uma contabilidade que merece atenção. Se o País economizasse o que gasta com danos materiais e hospitalares resultantes de acidentes de trânsito, seriam R$ 20 bilhões por ano circulando a mais no País. Os hospitais poderiam destinar aos doentes 60% dos leitos, hoje ocupados por vítimas de cruzamentos mortais e motoristas distraídos.
A guerra das ruas é causada em parte por estradas esburacadas e sinalizações precárias e, portanto, resultado da omissão dos governantes mas em muitos casos os responsáveis somos nós, cidadãos, vítimas e vilões de histórias com desfechos trágicos.
A luz vermelha está acesa há anos. É verdade que não se entende porque automóveis saem das linhas de produção das montadoras prontos para atingir 200 quilômetros por hora quando o limite de velocidade admitido no País é 120. Também é verdade que o Estado deveria destinar recursos que arrecada do contribuinte para coibir a tragédia nas ruas, restaurando vias públicas, sinalizando pontos críticos, policiando cruzamentos de risco. Mas não dá para negar: motoristas e pedestres precisam assumir já a sua cota de responsabilidade e evitar o banho de sangue que se vê o tempo todo, em cada canto do País.
Ruth Meira

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