A greve
A grande vitória do movimento grevista dos servidores públicos, agora, seria a proclamação da volta ao trabalho, como gesto de respeito à cidadania, aos milhares de universitários sem aulas e aos doentes sacrificados pela queda da qualidade de atendimento, no Hospital Universitário. Se é legítima a reivindicação por melhoria salarial razão da greve já é hora de a sociedade também mobilizar-se e exigir dos grevistas que suspendam a paralisação.
Embora a forte pressão sindical e o temor de revanchismo, há uma corrente, no seio da classe, que deseja o retorno imediato às atividades, já que o governo acena com uma solução para abril. Então, a sociedade organizada precisa ir às ruas, valendo-se da mesma tática sindicalista, e dar respaldo a esses contingentes já exaustos da greve e que estão dispostos a retomar o trabalho sem mais demora. Se lideranças fortes que poderiam ser os prefeitos de Londrina, Maringá e Cascavel fizessem um chamamento público para a volta aos postos, solicitando para isso a garantia das forças de segurança, certamente a greve chegaria ao fim.
O governo já deu um indicativo de solução, mas como veio negligenciando ao longo dos anos, agora necessita de prazos legais para aprovar aumentos salariais, e é preciso levar isso em conta. Mais protestos diante do Palácio Iguaçu, como se planeja, serão apenas uma variante da greve e em nada resultarão. Será gasto inútil de energia, porque o governo nada fará por ora. O caminho da sensatez aponta para a volta à plenitude do trabalho, nas três universidades e no HU.
Um milhão de habitantes que formam a população dos três importantes municípios e que repudiam a continuidade da greve e cerca de 38 mil universitários prejudicados, não podem ficar cativos da intransigência de meia dúzia de líderes sindicais, sabidamente despreocupados com o interesse público e apenas sintonizados em seus ideais de greve. Já não há unanimidade entre os professores e servidores em geral, com esta já absurda paralisação, mas falta uma liderança extra-sindicatos que os induza à volta ao trabalho.
As negociações não devem cessar, porque este é o caminho das sociedades civilizadas, mas é possível dialogar trabalhando. O governo já sentiu que não pode faltar com seu compromisso. As lideranças comunitárias, com os três prefeitos à frente eles que têm forte expressão e grande poder político, pela importância dos municípios que representam devem tomar as rédeas da situação e buscar a recondução imediata dos grevistas à atividade, mantendo-se em permanente vigilância para cobrar do governo o atendimento às reivindicações que estão motivando a greve.
Os prefeitos de Londrina e Maringá, por serem petistas, não devem temer patrulhamento ideológico de seus companheiros, porque sua militância ganhou maior abrangência e se estendeu sobre toda a população. Agora eles pertencem ao partido do povo, e o povo já não quer a permanência desta greve.





