A gravidade dos problemas ambientais
Sergio Aparecido Nabarro
Em setembro, em Nova York, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) com objetivo de reorientar as políticas públicas e os acordos bilaterais sobre meio ambiente e desenvolvimento para os próximos 15 anos. O intuito também é de atualizar as oito metas propostas pelo plano chamado Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ratificado por 191 países no ano 2000, elaborados para combater a pobreza, ampliar o acesso à educação e proteger o meio ambiente.
De acordo com o relatório Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), como resultado do debate atual, os 17 ODS são: 1) Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; 2) Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável; 3) Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades; 4) Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. 5) Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; 6) Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; 7) Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos; 8) Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; 9) Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação; 10) Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; 11) Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis; 12) Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis; 13) Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos; 14) Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; 15) Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade; 16) Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis; 17)Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
Embora a nova proposta seja mais adequada em relação à preocupação com os problemas sociais contemporâneos e insira a população enquanto participe de uma comunidade global dependente da preservação ambiental para garantir sua vida, é preciso que as atenções também estejam direcionadas aos dois problemas que compõem a gênese da crise ambiental: o modelo econômico, pautado na acumulação sem limites, e o consumismo predatório, baseado no apelo exacerbado pelo consumo.
Estudos recentes apontam que se todas as pessoas do mundo consumirem como os americanos e europeus seriam necessários três planetas Terra para garantir o fornecimento de recursos naturais. Os novos apontamentos, estudos e metas reforçam a urgência da questão ambiental, a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento, mas revelam, sobretudo, a urgência de um novo modelo econômico, pautado em um novo paradigma civilizatório.
Qualquer debate sobre desenvolvimento ou sobre problemas ambientais e sociais na contemporaneidade deve partir também de uma nova organização econômica, mais racional, menos excludente, caso contrário, continuaremos caminhando de uma crise a outra.
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





