A gravidade da violência urbana
A FOLHA DE LONDRINA, cumprindo a sua função social, mostrou na edição de ontem - uma vez mais - os muitos ângulos pelos quais é vista a criminalidade. Depoimentos de experimentados educadores revelam opiniões idênticas e também divergentes, mas demonstrando que há uma preocupação com o elevado índice da violência e um anseio de aplacar esse mal social. Há ao menos um consenso, o de que este é problema de Governo e da sociedade, de polícia e de escola, de má índole de muitos delinquentes e de falta de oportunidades para eles. Certo é que existem pessoas debruçadas sobre essas questões, buscando soluções por meio de trabalhos excepcionais - ou com certeza tudo seria pior.
Estas pessoas são educadores, agora sofrendo ataques de alunos dentro da própria sala de aula e fora dela; são os agentes sociais em suas mais variadas tarefas, os policiais, os profissionais de saúde, os promotores de Justiça, as equipes profissionais que atuam nos programas de ressocialização de delinquentes, as instituições religiosas e outros tantos abnegados que ajudam da forma que podem e atuam em seus próprios redutos, anonimamente. Afirmar que ''ninguém faz nada'', como se ouve com frequência, não é uma verdade inteira. Também não é totalmente verdadeiro que a causa da delinquência é a miséria social, embora este seja o principal fator porque em lares miseráveis e desestruturados os vícios encontram mais fácil abrigo. Onde não há alimento, saúde, conforto, todos os apelos acabam ganhando justificativa sob a ótica de quem está envolvido.
As soluções têm mão dupla: isolar do meio os perigosos, pelos caminhos legais, porque a sociedade como um todo precisa ser protegida; e operar no sentido de eliminar os desníveis sociais, este um trabalho de longa duração mais que precisa ser empreendido, como uma cruzada nacional. Uma terceira via é educar, por via da escola regular, todos os jovens, e por meios mais sutis despertar as consciências, tanto da sociedade que se autodenomina sã quanto dos que já estão afundados na criminalidade. Depoimentos contidos nas reportagens de ontem deste Jornal mostram que recuperações têm acontecido e que existem, em boa quantidade, os que se regeneram.
Uma verdade histórica é que Londrina sempre foi violenta. De cinquenta anos para cá, salvando-se as primeiras décadas do período de colonização, sempre houve consumo de drogas, atentados contra o patrimônio, roubo de veículos e de gasolina dos tanques; os contos-do-vigário, os denominados ''golpes de segunda'' e os quadrilheiros que operavam sob o comando de algumas célebres personalidades. Descendentes de algumas famílias poderosas de então semeavam o terror na cidade, por via do consumo de drogas (especialmente a maconha), da velocidade e de abusos com os automóveis pilotados por playboys, colocando em risco a vida dos cidadãos, brigas frequentes em festas, com participação, sempre, dos mesmos grupos, e tantas brutalidades impunes, tendo ficado célebre a morte de uma menina vítima desses rapazes. A discussão pública sobre a violência têm que existir para evitar o agravamento de uma situação que preocupa que apresenta indícios de descontrole.





