A grandiosidade da ciência. Será?
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 2008
Marcio Fernando França 
Aristóteles, em seu livro ''Metafísica'', diz que ''todos os homens desejam saber'' e o objeto próprio desse desejo é a verdade. Trilhar os caminhos da ciência como sendo o único para chegar à verdade é um tanto presunçoso e arrogante por parte de alguns. O progresso da ciência e da técnica, esplêndido testemunho da capacidade da inteligência e da tenacidade dos homens, não dispensa a humanidade de pôr-se às questões religiosas últimas.
O homem procura uma explicação definitiva, um valor supremo, para além do qual não existam, nem possam existir, ulteriores perguntas ou apelos. As hipóteses podem seduzir, mas não saciam. Consultar a ciência moderna é ter à escolha dentre uma grande gama de conceitos diversos, aquele que mais combina com a cor de sua camisa. Portanto, a ciência não é um bom oráculo a ser consultado sobre todas as interrogações fundamentais do homem.
Ciência e religião (fé e razão) encontram-se em campos distintos do conhecimento, mas ''juntas elevam o espírito humano para a contemplação da verdade''. Quando a Igreja se pronuncia sobre questões inerentes à vida social e política, muitos enchem a boca para dizer que o país é um Estado laico, ou seja, que não possui religião oficial. A distinção entre a esfera política e a religiosa ''é um valor adquirido e reconhecido pela Igreja''. Seu ensinamento social não é uma intromissão no governo de cada país, mas uma luz para instruir e iluminar a consciência dos fiéis.
O Estado laico não é o que abole as convicções religiosas, mas, porque, democrático e plural, garante a convivência pacífica e respeitosa entre os vários credos e o direito de questionar suas ações e as da ciência se, os mesmos, são contrários aos valores cristãos.
Toda religião tem seus dogmas. Se não tiver, deixa de ser religião. Mas a ciência também possui seus dogmas, e os defende com unhas e dentes quando se sente ameaçada. Um entre tantos dogmas da mentalidade moderna é o evolucionismo. A ingenuidade de alguns chega ao absurdo de imaginar que o evolucionismo darwiniano é um posicionamento puramente científico, sem nenhuma relação com a história, com a filosofia ou com a religião. Para frustração dos seus fiéis seguidores, o evolucionismo é uma pretensa teoria científica que oculta em seu bojo uma doutrina religiosa: o Panteísmo e a Gnose.
A teoria da evolução pode coexistir com a fé. A Igreja Católica não exclui a possibilidade da teoria evolucionista, desde que o início do processo evolutivo tenha tido origem partindo de Deus. Para angústia dos que crêem cegamente nas provas da ciência, o método científico, tão eficaz, não descobriu a origem do universo, e ainda não acreditam que Deus é a origem de tudo.
As teorias evolucionistas extrapolaram o campo biológico, e é aplicado a tudo: nada mais é considerado estável, pois se crê que tudo evolui. Neste sentido, a crença no evolucionismo pode ser apontada como uma das causas do relativismo triunfante em nossos dias. Não haveria nenhum valor absoluto: nem verdade, nem moral, nem beleza, nem religião, nem dogmas, nada teria estabilidade, pois tudo estaria sob a lei da evolução, esta sim, tomada como sendo absoluta. Além de ser uma das raízes ideológicas do sistema nazista, pois a teoria de Darwin pressupõe uma desigualdade das raças e uma luta entre elas para eliminar as que seriam inferiores.
O Batibius Haeckeli, o Homem de Piltdown, o Homem de Java, o Homem de Pequim, a mandíbula infantil de Ehringsdorf, foram algumas das fraudes mais famosas utilizadas para convencer a comunidade científica e o público que o homem não foi criado por Deus, mas teve origem puramente animal. Quando alguém tenta provar algo por meios fraudulentos, isto se constitui numa confissão de que se reconhece não ter provas reais daquilo que se quer provar. A deusa ''ciência-moderna'' é uma espécie de criança mimada, que se contradiz o tempo todo e, quando erra, se diz inimputável por ser criança imatura. Mas, quando sentencia, é uma deusa incensada pelos estudantes e professores universitários.
MARCIO FERNANDO FRANÇA é bacharel em Filosofia e estudante de Teologia da PUC-PR (campus Londrina)


