A globalização que não existe - Walmor Macarini
Walmor Macarini
Viajar por este pequeno mundo é bom, porque nos ensina (se somos brasileiros) a melhor conhecer o Brasil, se é que temos sensibilidade para comparar, avaliar, tirar lições e colocá-las em prática.
A cada nova viagem nos indagamos que tipo de povo somos. A resposta ressalta meio óbvia: um povo em dificuldades habitando um paraíso. Paradoxal. Poderíamos ser mais felizes, mas não percebemos a fórmula tão óbvia à nossa frente. Como a mosca debatendo-se na vidraça, buscando sair, sem perceber que a janela está aberta.
Semanas atrás andei reeditando um giro pela Itália e EUA, com passagem rápida pela Holanda para comprar bulbos de tulipas e tentar cultivá-las em minhas floreiras, e constatei ao menos um fato novo: a globalização de que tanto se fala não existe. Globalização traduz-se hoje por Internet, e Internet não passa de uma veloz comunicação entre desiguais. Então, se somos desiguais não somos globais. Eis que, se somos idênticos nos sentimentos e emoções e isto sim é globalização somos diferentes em costumes, idiomas e ideais. E graças a Deus que assim é, porque a beleza está justamente na diversidade. Não há globalização enquanto nos exigem passaporte e vistos de entrada.
A denominada globalização é apenas virtual, e, como tal, um perigo que se alastra, porque fadada não a unir mas a separar as pessoas. Quanto mais aperfeiçoado esse sistema menos viajaremos e menos nos veremos e menos nos falaremos e menos nos tocaremos. As pessoas precisam tocar-se, mãos com mãos, abraço com abraço, pele com pele. Os italianos dizem: Per fare la pace, leto pícolo. (Para fazer a paz, cama pequena). Quando os corpos se tocam em doce harmonia o universo se ilumina.
Globalização será quando, contemplando a harmonia da diversidade e mesmo falando diferentes línguas, possamos dispensar passaportes e toda forma de documentos; professarmos uma só crença aquela que fala do fundo do nosso ser e que se traduz por plena comunhão com a Mente do Universo. Globalização será quando houvermos banido barreiras alfandegárias, restrições comerciais, dumpings, ideais de guerra e mortais disputas por hegemonias, incluindo as aparentemente inofensivas competições esportivas, que têm se convertido em verdadeiras guerras de marcas, clubes, atletas, substituindo a beleza dos movimentos e esporte é pura beleza de movimentos por acirradas disputas e quase batalhas civis, no campo e nas arquibancadas. Globalização é somar responsabilidades, porque se o extremo direito do mundo vai mal, o da direita sofre as consequências; se o centro estiver bem, o que está no pólo oposto também se beneficia. Isto é globalização, e assim sempre foi desde eras remotas, antes de haverem inventado a Internet, eis que o mundo se o olharmos como o viram de muito distante os cosmonautas é apenas uma pequena esfera quase imperceptível na vastidão do espaço. Porém, a morada dos humanos.
Talvez já seja hora de viajarmos não apenas pelo próprio mundo, mas também pelo espaço cósmico. Quem sabe, de um patamar mais longínquo, melhor nos enxergaríamos e passaríamos a entender tanta coisa!
Bem, aí seria o paraíso terrestre. E isto seria ruim? Não, isto seria muito bom, e possivel!
Os italianos dizem de nós: Brasile? Belo! Os americanos: Brazil? Beautiful! Não são poucos os que alimentam o ideal de um dia mudar-se para cá. Ou (se são homens) quem sabe levar daqui uma brasileira, nossa riqueza nacional... Na Itália os varões se queixam que as mulheres já não querem casar-se e sim viver uma vida faustosa e independente, se para isto houver candidatos disponíveis a patrocinar-lhes a causa...
Eles nos elogiam, e se retrucamos com nossos problemas sociais mania de brasileiro é falar mal do Brasil eles respondem que isto se resolve. Parece que os estrangeiros acreditam mais no Brasil que nós próprios.





