Cada vez mais autodidata e autônomo, o jovem do século 21 aprende o que lhe interessa e o faz por meio de uma linguagem não linear, ou seja, ele pode começar a ler uma reportagem sobre o novo filme da franquia Star Wars, o "Despertar da Força", na sequência pular para uma página sobre ficção científica e terminar baixando um aplicativo de gastronomia no celular. A tal da Geração Y já foi chamada de muita coisa: distraída, superficial, insubordinada, egoísta. Mas quem diria que a turma da internet está se mostrando comprometida com a pauta social e soltando a voz em causas importantes?
Pelo menos é o que aponta alguns fatos que aconteceram este ano no Brasil e no Paraná, quando os jovens decidiram manifestar posições nas redes sociais ou em protestos nas ruas das cidades. A participação dos estudantes nos protestos dos professores de escolas estaduais paranaenses, no primeiro semestre deste ano, é um exemplo. Muitos deles estavam na manifestação do dia 29 de março, no Centro Cívico de Curitiba, onde um confronto entre policiais e manifestantes acabou com 170 pessoas feridas.
Outro exemplo mais recente: estudantes ocuparam escolas públicas de São Paulo para protestar contra o fechamento de instituições de ensino, medida que havia sido anunciada pelo governador Geraldo Alckmin.
Coincidência ou não, a Conferência Nacional da Juventude, realizada há poucos dias, em Brasília, abordou o tema "As várias formas de mudar o Brasil". Participaram da reunião coletivos de jovens que defendem causas tão diversas como igualdade de gênero, democracia, igualdade racial e o direito à comunicação.
A geração que nasceu com a internet mostrou ser capaz de se juntar em um mesmo espaço físico para debater e reivindicar. É claro que as manifestações e as ocupações foram acertadas antes, pelas redes sociais.
É possível perceber o engajamento dos jovens em causas ligadas à melhoria na qualidade da educação pública e meio ambiente. Em 2015, o agravamento da crise econômica e as denúncias da Operação Lava Jato levaram a agenda política brasileira até às crianças e aos adolescentes. A questão agora é como não deixar morrer esse comprometimento e o desafio é incentivar o jovem a se envolver ainda mais nas questões sociais e políticas da comunidade em que vive.

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