A Geada Negra e o inverno que mudou o Paraná
"Alguém definiu como um tiro de misericórdia na cafeicultura paranaense”, diz o jornalista Widson Schwartz
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sexta-feira, 18 de julho de 2025
"Alguém definiu como um tiro de misericórdia na cafeicultura paranaense”, diz o jornalista Widson Schwartz
Folha de Londrina 
18 de julho de 1975. Há 50 anos, uma combinação de fatores climáticos gerou um fenômeno, a Geada Negra, que destruiu as plantações de café no Norte paranaense e mudou a realidade econômica e social do Estado.
Na véspera, 17 de julho, Curitiba se cobria do branco de uma neve que os moradores com mais de 50 anos guardam na memória como uma doce lembrança de brincadeiras de bonecos de neve.
No mesmo dia, choveu em Londrina e, junto ao frio extraordinário que atingiu a cidade horas depois, formou-se as condições para a tragédia que queimou os cafeeiros e desesperou fazendeiros e trabalhadores rurais.
"Alguém definiu como um tiro de misericórdia na cafeicultura paranaense”, disse Widson Schwartz, repórter da FOLHA na ocasião e um dos memorialistas mais respeitados da cidade. Em entrevista à reportagem da Folha de Londrina, ele contou que das 900 milhões de plantas, 200 milhões foram danificadas completamente, enquanto outros 700 milhões sofreram danos profundos.
Schwartz se recorda que as plantações já vinham encolhendo desde a geada de 1963. No intervalo entre as duas geadas, 300 milhões de cafeeiros já haviam sido erradicados.
Na edição desta sexta-feira (18), a Folha de Londrina traz reportagem especial sobre a Geada Negra de 1975, episódio que ainda está na memória de quem viveu aquele inverno devastador.
"A lavoura, que estava toda verde, amanheceu marrom. Era como se tivesse sido pintada", afirmou Amauri Ramos da Silva, 58, técnico de acervo do Museu Histórico de Londrina e especialista em Patrimônio Histórico e Identidades.
“Meu pai passou de pequeno proprietário a boia-fria. Fomos morar todos em um cômodo de 3x3 metros. Não tinha o que colher, não tinha o que comer. Foi um choque. Muitos venderam seus sítios", lembrou.
Os mais jovens, que desejam saber sobre esse fato, encontram no Museu Histórico da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e no Museu do Café, mantido pelo Sesc, vasto material para conhecer o que significou o dia 18 de julho de 1975. O acervo sobre a geada e o café como um todo inclui jornais da época, como a Folha de Londrina.
A compreensão do impacto da Geada Negra é essencial para valorizar a resiliência do paranaense e os caminhos que o Estado trilhou desde então.
Ao recordar a data, a FOLHA presta um tributo à memória coletiva de toda uma geração de paranaenses e marca a importância de preservar nossa história.
Obrigado por ler a FOLHA!


