A FOLHA prossegue na edição desta terça-feira (22) o debate sobre os impactos da Geada Negra que atingiu o Norte do Paraná há 50 anos, no dia 18 de julho de 1975, e que mudou os rumos da economia estadual. Na última sexta-feira, o jornal trouxe conteúdo especial sobre o fatídico dia em que aquele evento climático devastador destruiu a cultura cafeeira do Estado, até então a principal fonte de renda do Norte paranaense.

O Paraná era o maior produtor de café do Brasil e a temperatura chegou a -9°C no campo. A estimativa é de que mais de 300 mil hectares de café foram erradicados em decorrência desse fenômeno do clima. Em 1975, o Paraná colheu mais de 10 milhões de sacas de café, respondendo por cerca de 48% da produção nacional. No ano seguinte, a participação paranaense caiu para 0,1%.

O colapso na cafeicultura foi enorme e a crise se transformou em ponto de partida para mudar a economia e a dinâmica entre campo e cidade. A devastação do “ouro verde” provocou um êxodo rural sem precedentes: mais de 2,6 milhões de pessoas deixaram o campo.

A onda migratória forçada acabou impulsionando um movimento de diversificação econômica, tanto agrícola quanto industrial. Áreas antes dominadas pelo café deram lugar a culturas como soja e trigo, enquanto pequenas oficinas e fábricas surgiam nas garagens e quintais das cidades.

Após 1975, o Paraná buscou acelerar a industrialização com o objetivo de reduzir a dependência do setor primário. Exemplos de polos industriais que surgiram na sequências foram o do vestuário, em Cianorte, o do boné, em Apucarana, e o moveleiro, em Arapongas.

Esse último é um grande exemplo desse movimento a caminho da industrialização pós-geada. As fábricas de móveis já vinham se organizando em Arapongas desde a década de 1960, mas tomou grande impulso nos anos 1970 e 1980. Hoje, o setor moveleiro é responsável por 64% do PIB local.

A indústria do vestuário, de móveis e de acessórios no Norte do Paraná surgiram como alternativas concretas diante da crise na cafeicultura, impulsionadas por políticas públicas de incentivo, espírito empreendedor e abundância de mão de obra.

Ao destruir uma economia baseada no café, a geada de 1975 expôs a vulnerabilidade de um modelo produtivo dependente de uma única cultura. Após aquele inverno trágico, a resposta paranaense se desenhou nos anos seguintes a partir de três pontos fundamentais: inovação, resiliência e reorganização estrutural.

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