''Lula entrega país melhor, mas imposto é recorde'', destacam alguns jornais; outros criticam a farra da gastança, outros ainda falariam da corrupção. Todos, porém, concordam com a melhoria da classe pobre, as oportunidades criadas, enfim o bom desempenho no campo social. Entre elogios e críticas (a ideia aqui não é fazer uma análise do governo), há um ponto que se destaca neste epílogo dos oito anos do governo Lula. Poderia chamar ''Era Lula'' porque Dilma não dá sinais de que fará algo diferente. O ponto a se destacar, incômodo para um País pobre, é o desapreço com que o dinheiro público é tratado. Talvez pela facilidade de arrecadar mais e mais, em todos os campos.
Assim, um gasto de R$ 20 milhões em propaganda apenas para realçar os feitos do governo é um abuso. Para fazer balanço do governo bastaria Lula reunir a imprensa em entrevista coletiva. O mesmo poderia ser adotado pelos seus ministros. Agora, da forma como foi feito é um desperdício. ''Peças publicitárias para marcar fecho da Era Lula na Presidência estão sendo divulgadas em 325 veículos e custaram R$ 20 milhões'', diz a notícia. Ora, com a mídia toda a seus pés, com a televisão sempre à sua disposição - dentro dessa linha oficial e servil -, o governo não precisa gastar em mais nada, afinal a produção do material (sempre maravilho e, portanto, muito caro) deve fazer parte de um contrato maior com as agências de publicidade. Ou não? Além disso, a eleição já foi. O governo fez campanha o tempo todo e não percebeu que podia parar após eleger sua sucessora.
A inclinação pela festa foi demonstrada na posse de Lula, oito anos atrás. Não teve nada de singelo, como se poderia esperar em sentido compatível com as propostas do partido. E vem mais gastança nos próximos dias, se a presidente Dilma não romper uma tradição de esbanjamento.
Lula tirou muitas famílias da linha da pobreza e as estatísticas atestam esse lado profundamente meritório. Também é verdade que estamos em ''Um País de Todos''. Agora, convenhamos: é de todos, mas o naco que coube aos amigos do poder é bem maior e mais substancioso.

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