Muito mais importante que discutir polêmicas questões institucionais, como substituir ou não o comandante do Exército após a recente nota pública dos militares defendendo (sem conhecimento prévio do presidente da República) as ações repressivas do último regime ditatorial, é reexaminar a função das Forças Armadas e a utilização mais intensificada de seu potencial e de sua ação em defesa de sérias causas que envolvem a segurança nacional. Com o pedido de demissão de um ministro da Defesa e a posse de outro no caso José Alencar, vice-presidente da República voltam à cena reivindicações salariais da tropa e o reaparelhamento da Força, que irá dispor em 2005 de R$ 5,2 bilhões para custeio e investimento. Se a tropa reivindica melhor soldo e os comandantes reclamam mais sofisticados equipamentos, com toda certeza apreciariam uma palavra de ordem que mobilizasse o contingente para tantas e reclamadas missões, como melhor policiar as fronteiras para impedir a entrada das drogas e a liberdade do contrabando, intervir em ações mais vigorosas para a segurança amazônica, protegendo-a dos invasores e saqueadores da flora, da fauna e de minérios, do extrativismo predatório, das derrubadas e das queimadas. Nada há mais nacionalista, no Brasil, que o ideal das Forças Armadas, e aquelas seriam tarefas que exaltariam a formação e a competência profissional dos efetivos militares, afinal preparados para missões dessa envergadura. Se batalhões especializados já operam em missões de salvamento e a engenharia do Exército têm realizado importantes obras e serviços, tem muito mais a dar o contingente das três Armas pela causa dos interesses da pátria, porque adestrado para tais operações e pronto para as incumbências que lhe forem confiadas. A melhor forma de a Presidência da República e o Ministério da Defesa agora sob novo comando valorizarem a Defesa Nacional representada por Exército, Marinha e Aeronáutica, é equipá-la para as necessidades internas, proporcionar os soldos condizentes e sobretudo permitir sua plena função profissional. Há um território imenso por patrulhar, exposto à cobiça de interesses alienígenas e extensas fronteiras abrem espaços para a facilitação do tráfico das drogas e para o contrabando. Atuar nessas frentes de combate é trabalho para os efetivos das Forças Armadas e que dignifica seu atributo de garantir a segurança nacional.

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