A frustração vence a esperança
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de maio de 2003
Gilberto Jordão 
Pode um governo, com créditos populares, que fez tudo que estava a seu alcance para chegar ao poder e que conta com credibilidade para enfrentar a fúria do mercado que ele tanto combateu servir de pelego ao FMI?
Em 1937 surgiu um movimento operário denominado, por Getúlio Vargas, anarcos-sindicalistas e os comunistas. Para banir tal movimento o governo Vargas, sabiamente, implantou os sindicatos reconhecidos pelo Ministério do Trabalho. Depois de 1941, o Ministério colocava seus agentes para liderar, banindo, dessa forma, os militantes operários idealistas. Tais agentes eram chamados ''pelegos'', pois faziam, estritamente, o que o Estado mandava.
Como podemos perceber os tecnocratas estão derrubando a ideologia defendida, há anos, pelo nosso presidente. Tais mecanismos usados para defender uma política forte contenção da infração está sendo uma cusparada na face da população brasileira, pois a mesma população votou e escolheu seu líder com base nos princípios previamente defendidos há décadas, ou seja, uma política social justa para o povo e não uma política para se ajustar ao bicho-papão do FMI.
O ''novo'' governo recebeu um país em sangria, mas não está fazendo os estancamentos necessários. Houve, sim, um acerto para continuar o atual sangramento.
Esse mesmo governo poderia mudar, implantando medidas econômicas mais sensatas, pois foi o que sempre defendeu quando militava na oposição. Para dizer a verdade o PT sempre foi contra tudo e contra todos. Hoje, estamos vendo o porquê. São incompetentes de carteirinha. São eficazes apenas para criticar e fazer oposição. A incompetência é tanta que não tiveram a coragem suficiente para implantar uma nova política de administração. O exemplo aí está. Saiu FHC e entrou o Lula-lá e continua na mesma batida.
O governo Lula continua perdulário e sem capacidade de mudar o vício advindo de outros governantes. Lula está longe de ser o consolo que todos buscam e esperam.
Paira alguma dúvida no ar. Para quem interessa essa política desvairada de se manter os juros de 26,5%? Quem está manobrando nos bastidores a vontade do governo e com que propósito?
Como observamos, o governo federal continua à mercê dos grupos estrangeiros e refém, incondicional, dos banqueiros nacionais e internacionais. A frustração e a indignação estão vencendo a esperança.
GILBERTO JORDÃO é mestre em Educação e professor universitário na área de Administração em Maringá


