A fraude
José Cruz
Além de não ajudar ao esporte, como determina a legislação, os jogos de bingos desmoralizam o governo. O presidente do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Esporte (Indesp), Augusto Viveiros, que há poucos dias assumiu o cargo, pediu prazo até o fim do mês para conhecer o assunto e, então, poder agir. Renovadas e cansativas promessas. Mas Viveiros precisa se adaptar, também, às múltiplas investigações por que passa aquele órgão do Ministério do Esporte e Turismo, responsável pela autorização de casas de bingos no País. Investigações, entre outras, da Polícia Federal.
Há cinco anos, desde quando entrou em vigência a Lei Zico, depois substituída pela Lei Pelé, regulamentando o desporto nacional, realiza-se um assalto sistemático aos cofres de centenas de clubes e federações esportivas. E o governo, conhecedor dessa realidade, silencia. Conhece o problema na sua origem, inclusive, pois uma sindicância da Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, no ano passado, apontou dezenas de fraudes na fase de concessão dos alvarás de funcionamento dos bingos. Providências? Nenhuma.
Por conta dos bingos de cartela, vieram as máquinas caça-níqueis, e no País em que os jogos de azar são proibidos pela Constituição, esse tipo de jogatina prolifera-se desordenadamente. Em nome do esporte, o que é pior. É oportuno lembrar que a proposta original da Lei Pelé remetida ao Congresso havia excluído o assunto ‘‘bingo’’, contemplado na Lei Zico. Os parlamentares, contudo, insistiram no seu funcionamento. Assim, o que é proibido passa a ser legal, e um jogo de azar tem regulamentação na lei que trata do Esporte. Inacreditável!
- JOSÉ CRUZ é jornalista em Brasília

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