Os partidos políticos não deveriam ser necessariamente aliados dos governos e nem assumir uma postura sistemática de oposição. Deveriam ser apenas partidos, com dignidade e independência para dar apoio nos momentos necessários e discordar quando preciso. Mas no Brasil tal não ocorre, e os partidos são a favor ou contra conforme as conveniências político-partidárias do momento e sem muita preocupação com os interesses nacionais. Alguns já assumem uma linha definida de oposição e sempre votam contra, da mesma forma pouco preocupados se essa atitude beneficia ou prejudica a população.
Um dois maiores partidos brasileiros, o PFL, vinha adotando essa anomalia política de ser aliado do governo, naturalmente pelo interesse na divisão de cargos e garantir sustentação de poder, e agora, ao menor sopro de brisa contrária – por atingir um dos seus, justamente a candidata Roseana Sarney – rompe politicamente com o sistema, suspende o apoio e retira todos os seus homens. Tudo isso se dá porque, simplesmente, uma ação da Justiça – oportunista que tenha sido – dava andamento a diligência de investigação por denúncia de irregularidade em empresas de Roseana e de seu marido Jorge Murad.
Nações poderosas e evoluídas politicamente também têm os seus lobbies e influências nas casas do Parlamento, mas essas forças defendem segmentos empresariais e ideais sempre voltados para causas nacionais e nunca acobertando corrupção e nem atendendo a interesses vís como barganhas por cargos e privilégios. Oportunismos eleitorais existem em todas as democracias, mas dentro de padrões éticos, e não esse verdadeiro escândalo que agora ocorre, no Brasil, porque não está em discussão uma eventual questão de interesse do Brasil-cidadão. Trata-se apenas de uma conveniência de propósito eleitoreiro e uma estratégia para abafar um processo que corre, por denúncia de corrupção.
A postura que se espera de um partido político é, sim, que dê apoio a uma filiada de tamanha expressão, em momento de abalo em sua imagem pública como no presente caso, mas acima de tudo que defenda os postulados da lei. O que faz o PFL é uma autêntica demonstração de que pouco importam acusações de corrupção e a busca de elucidá-las. Por essa amostragem, os partidos políticos deixam de ser instrumentos de construção nacional e de empenho à causa da moralidade pública, para converter-se em meras corporações a atender interesses individuais e de grupos. O PFL deveria ser o primeiro a exigir severidade na apuração das denúncias, pelo fato de envolver um de seus membros, e afastar uma candidatura cuja titular está sob suspeição.

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