A frágil saúde paranaense
A quinta maior economia nacional, é o 16º Estado no ranking de desigualdade de oferta de médicos dos setores público e privado do País. O balanço divulgado nessa semana pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que no Paraná para cada mil usuários de planos de saúde há 8,97 postos médicos ocupados no sistema privado. Para as pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), a relação é de 1,63 postos para cada mil usuários. O Estado com a maior oferta de médicos no sistema público é o Rio de Janeiro, com 3,63 profissionais por mil habitantes.
A pesquisa, na verdade, apenas reflete as agruras vivenciadas diariamente pelos paranaenses. Não é novidade que a população tem que esperar meses - ou em alguns casos até anos - por uma consulta com um médico especialista. Essa rotina é repetida para outros procedimentos como cirurgias e exames de alta tecnologia. É urgente a necessidade de melhorar o sistema público de saúde, até porque a alta carga tributária paga justifica a melhora do atendimento.
Segundo o CFM, o que define a natureza mais pública ou mais privada dos sistemas de saúde é a forma e o grau de intervenção estatal na regulação da oferta e da demanda por serviços e profissionais. Nos países com sistemas de saúde universais consolidados, mais de 65% dos gastos são públicos. No Reino Unido, 65% dos gastos no setor são feitos pelo governo; na França, 76,7%; Alemanha (75,7%) e Espanha (72,1%), para citar alguns exemplos. No Brasil, o total de gastos públicos atinge apenas 45,7% do montante destinado à saúde.
Para a entidade, ''a situação é agravada pelo subfinanciamento crônico e pela não regulamentação da Emenda Constitucional 29''. Esta afirmação soa verdadeira apenas em sua primeira parte, uma vez que historicamente os recursos destinados ao setor estão bem aquém da real necessidade. No entanto, a alta carga tributária atual permite um melhor direcionamento dos recursos e uma melhor definição dos gastos. Não é preciso criar mais um imposto para que a saúde seja financiada. A extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que incialmente seria destinada apenas para financiar a saúde, no final teve a sua finalidade desviada. Talvez um pouco de boa vontade da administração pública seja suficiente para resolver o problema da saúde no Brasil.





