A força econômica do interior
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Com um contingente de 13 milhões de desempregados no Brasil, é certo que a falta de registro na carteira de trabalho é um dos problemas que mais pautou os discursos dos candidatos à presidência da República e continua na reta final. Seja quem for o presidente eleito - Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro - , espera-se dele a implantação de medidas que ajudem a diminuir a taxa de desempregados.
Os 13 milhões de desempregados equivale à população do município de São Paulo. É consenso entre especialistas ouvidos pela Folha de Londrina que a melhora desse indicativo vai depender muito das políticas públicas adotadas pelos novos governos estadual e federal. Nesta edição, a FOLHA traz em reportagem dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos sobre o mercado de trabalho formal no Paraná, baseados em informações da Rais 2017 (Relação Anual de Informações Sociais). A pesquisa mostra o crescimento da contratação com carteira assinada no Estado e no Brasil.
Pela pesquisa, que engloba celetistas e estatutários (servidores públicos), constata-se uma alta de 0,48% do emprego formal no Brasil, em 2017. O índice paranaense é mais alto, de 0,50%, com a criação de 15.087 empregos. Em relação a remuneração, o desempenho paranaense teve alta de 3,93%, acima da média nacional (2,12%).
Os postos de trabalho foram gerados em maior número em três setores em relação a 2016; indústria da transformação, administração pública e serviços. As quedas foram registradas na construção civil, extrativa mineral, agropecuária, comércio e nos serviços industriais de utilidade pública. Se aumentou o número de registros em carteira, aumentou também no emprego informal. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice de pessoas que trabalham sem registro subiu de 40,4%, no quarto trimestre de 2016, para 43,4%, no mesmo trimestre de 2017.
A pesquisa mostra a força do interior. Houve geração de postos de trabalho em 71,43% dos municípios paranaenses. Na Região Metropolitana de Curitiba houve redução de 18.127 empregos. Nova Fátima (Norte) apresentou o maior crescimento em termos relativos (76,74%), seguido por Rio Bom (34,31%), no Vale do Ivaí; e Dois Vizinhos (31,74%), no Sudoeste. O Interior do Paraná apresentou uma geração de 33.214 empregos. Entre os que mais perderam postos estão Curitiba (-19.463), Londrina (-3.144) e Matinhos (-2.522).
Continua uma tendência que já vem se mostrando há alguns anos e a distribuição de riquezas entre municípios do interior está ajudando as cidades menores a ganharem espaço na economia paranaense e a atraírem a atenção de quem busca qualidade de vida e recolocação profissional.



