A força das paróquias e da OAB
Nada mais poderoso do que a mobilização do povo para obter as grandes reformas políticas e outras conquistas sociais, mas esse mesmo povo nem sempre crê no próprio poder. As paróquias da Igreja Católica, no Brasil, constituem um inigualável poder, porque somam mais de 100 milhões de brasileiros, que, na grande maioria, ouvem e seguem os líderes que estão por trás dos púlpitos. Um poder paralelo é a Ordem dos Advogados do Brasil e seus núcleos regionais, porque capazes de ordenar os clamores populares e dar-lhes revestimento constitucional para que possam ser submetidos ao exame dos poderes da República e resultem em leis.
São essas duas vertentes que no momento se unem e acabam de iniciar campanha nacional para conscientizar os cidadãos a não venderem o voto, agora que estão próximas as eleições municipais, que mobilizarão todos os brasileiros, não só os votantes mas a nação inteira. Comandado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, esse movimento cívico e de despertamento de consciências mobilizará mil subseções da Ordem dos Advogados e 16 mil paróquias de todo o País.
Essa cruzada cívica defende também a manutenção da atual legislação eleitoral que pune com cassação de mandato o crime da compra de votos e irrompe como reação ao projeto do senador baiano Cesar Borges, do PFL, que propõe amenizar as penas dos candidatos compradores de votos. Pela proposta do parlamentar, os políticos só poderão ser punidos após não existir mais possibilidade de recurso contra a condenação. Como os mandatos duram quatro anos, a expectativa é de que quase ninguém será cassado, já que a média de tempo de tramitação de um processo é superior a isso. O projeto do senador que perfila na mesma escola ideológica de seu colega Antonio Carlos Magalhães é beneficiadora exclusivamente dos políticos corruptos, já que os corretos não precisam temer lei alguma.
Não se pode permitir que haja alteração no dispositivo legal hoje em vigor, sob pena de os candidatos terem a certeza da impunidade na hora de comprar votos ou praticar outros delitos eleitorais afirma o presidente nacional da OAB, Roberto Busato. Segundo ele, todas as pessoas que depõem contra a moralidade pública serão beneficiadas com um projeto dessa natureza. No lançamento da campanha não faltou referência a Paulo Maluf, suspeito de manter fortunas em bancos estrangeiros e que seria favorecido por essa alteração proposta pelo senador Borges.
A Igreja Católica está engajada nesta campanha porque foi por sua ação que 1 milhão e 200 mil pessoas assinaram documento que resultou na legislação atual, esta que o senador agora quer derrubar. O movimento que acaba de ser deflagrado, com apoio não só daqueles subscritores mas dos mais de 100 milhões de católicos e de todo o restante dos brasileiros conscientes, haverá de demonstrar que o poder do povo não está apenas no ato de votar e eleger, mas também no de policiar e manter intactas as leis boas embora nem sempre cumpridas que existem neste país.





