A força da cadeia produtiva do Paraná - Paulo Ferreira Muniz
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Paulo Ferreira Muniz 
Recentemente o governador Jaime Lerner manifestou a importância que dará em seu novo governo ao setor agroindustrial paranaense, por conseguinte ao setor primário. A anunciada disposição provocou no meio produtivo uma justificada euforia, porque é originada de autoridade que já provou seu entusiasmo pelo seu Estado. O setor se orgulha em saber que suas constantes reclamações e reivindicações estão, enfim, encontrando bom eco junto a quem pode fazer girar a roda do progresso no âmago da modernidade, confiando em parceiros vocacionados e experimentados como são os integrantes do setor.
Uma dessas reivindicações foi materializada em 4 de junho último, quando enviamos ao governador o documento intitulado Cadeia Produtiva do Frango no Paraná, de cuja elaboração participaram técnicos de grande capacidade e competência do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Deral/Seab), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, e da Avipar (Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná).
O documento sintetiza as aspirações do segmento produtivo, e enumera questões fundamentais e vitais para o seu desenvolvimento, que também servem de paradigma para os demais setores. A realidade da avicultura de corte do Paraná é espelho fiel para as outras cadeias produtivas - suinícola, láctea, de vegetais leguminosos, de subprodutos industrializados de grãos e tubérculos.
O setor não necessita de estudo científico para concluir que sempre que pode transformar a produção primária em produtos semi-industrializados ou elaborados, multiplicará muitas vezes o seu valor inicial, agregando um leque de mão-de-obra, impostos, embalagens, transporte. O milho, por exemplo, quando é transformado em farinha tem seu preço ampliado em cinco vezes, mas quando transformado em carne de frango, este valor será aumentado em 10 vezes.
Este conjunto de riquezas e possibilidades tem origem nas condições de excelência que tem o Paraná. Dentre elas, a estrutura fundiária, as condições edafoclimáticas adequadas à avicultura, à suinocultura, à produção de grãos e tubérculos; como primeiro produtor nacional de milho e soja, o Paraná apresenta significativa vantagem comparativa (diminuição dos custos de produção e oferta satisfatório de insumos) em relação a outros estados; na área tecnológico-científica, o Estado está na frente pela participação de empresas de pesquisas como Embrapa e Iapar, que conferem ao setor de grãos tecnificação para melhor competitividade e produtividade, transferindo estas vantagens para os setores que os consomem.
Outras vantagens que justificam nosso entusiasmo estão na infra-estrutura de transporte, que integra os sistemas fluvial, ferroviário, rodoviário, aéreo e portuário e está inserida em modelos de corredor de exportação, ligando a indústria aos principais estados consumidores (Rio, São Paulo, Minas). Frente ao Mercosul, o Paraná mantém, via fronteira com outros países, escoamento marítimo pelo Porto de Paranaguá, o que lhe assegura posição privilegiada quando se considera como Estado recebedor natural das produções do Centro-Oeste.
O governador dimensiona tudo isso, e certamente também está dedicando sua apurada reflexão a uma das mais importantes reivindicações que já fizemos, também constante do documento Cadeia Produtiva do Frango no Paraná, que é a que trata da energia elétrica - outra riqueza que o Paraná possui e que até produz excedentes.
A energia elétrica é um dos insumos que têm maior peso no custo agroindustrial, entre 4% e 7%. Mas o modelo tarifário das empresas distribuidoras, incluindo-se a importante Copel, determina que as tarifas tenham um acréscimo em seu horário de ponta, das 19 às 22 horas, 10 vezes superior aos demais horários (das 22h01 às 19 horas). Este acréscimo acaba significando que as três horas do horário de ponta custam o mesmo valor das vinte e uma horas do horário fora de ponta.
É compreensível que as empresas distribuidoras busquem uma forma de dificultar, através do custo, o consumo geral entre 19 e 22 horas, em virtude da grande demanda concentrada pelo consumo doméstico. No entanto, alguns segmentos, como indústrias de laticínios, frigoríficas e de reprodução animal não podem prescindir de nenhum horário, pois teriam grandes prejuízos pela interrupção da conservação de suas produções.
Para a solução disso, contamos com o governador. Ele sabe que o setor agroindustrial é o grande promovedor da fixação do homem no campo, distribuidor de riquezas e formador de uma forte média agropecuária. Ao adotar uma política justa para os produtores no campo da energia elétrica, o governador estará possibilitando tratamento tributário que os capacite a disputar o mercado nacional em igualdade com outros estados - e estabelecerá, aqui, uma das principais alavancas para a conquista e a manutenção da riqueza, do bem-estar e da felicidade da gente paranaense, como ele sonha.
- PAULO FERREIRA MUNIZ é industrial em Londrina, presidente da Avipar e vice-presidente da Regional Sul da União Brasileira da Avicultura (UBA)


