A fome em foco
O combate à fome já desponta como a provável marca do governo petista. Não se sabe ao certo o número de brasileiros que atravessa o dia sem acesso à cota mínima de alimentação mas, mesmo divergentes, as projeções assustam. Uma das mais recentes aponta dez milhões de carentes.
Discute-se a melhor forma de levar o programa adiante, se pela distribuição de cestas básicas ou de cupons alimentação. Organizações Não-Governamentais destacam que o projeto não pode ser apenas emergencial, mas também estrutural, no sentido de reverter a desigual distribuição da renda no País.
O importante é que o ''Fome Zero'', além de colocar a questão no topo das prioridades nacionais, começa a receber apoios importantes. James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial, anunciou em comunicado oficial que planeja encontrar-se em breve com o presidente eleito para discutir formas de combater a pobreza no Brasil. É um aliado de peso. O Banco Mundial tem uma carteira de financiamentos de US$ 5,3 bilhões no Brasil e pode, se avalizar o projeto petista, reforçar os créditos ao País.
A Organização das Nações Unidas também dá sinal verde ao plano do novo governo. Jean Ziegler, relator da ONU, disse à Agência Estado que pretende estabelecer com Luiz Inácio Lula da Silva uma estratégia comum contra a fome. Segundo ele, se o governo brasileiro trilhar a direção do combate à violação dos direitos humanos, estará em sintonia com as propostas do secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
O novo comissário de Direitos Humanos da ONU, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, empunha a mesma bandeira. Ziegler observa que, se for possível unir as forças de Annan, Mello e Lula, uma mudança real no que se refere às condições de vida das populações menos favorecidas pode estar em curso.
Ontem, o plano ganhou mais um reforço. O craque Ronaldo, ''embaixador da ONU'', enviou mensagem a Lula apoiando a iniciativa e se oferecendo para ajudar. O time começa a ficar forte.
Ruth Meira





