A Folha e a Zona Azul
A Folha noticiou na semana passada: meninos que cuidam das áreas centrais de estacionamento em Londrina têm sido ameaçados por assaltantes. Para afastar os adolescentes do que seria um trabalho de risco, o Ministério Público decidiu agir, determinando a retirada dos 222 garotos da chamada Zona Azul área de estacionamento de veículos controlada pela Epesmel (Escola Profissional e Social do Menor de Londrina). A reportagem da Folha, seguida da ação do MP, abriu uma ampla e oportuna polêmica na cidade. Afinal, é preciso proteger os meninos que disciplinam o estacionamento de carros ou o fim do programa seria ainda mais nocivo aos garotos, que ficariam sem ocupação?
Discussão instalada, o prefeito Nedson Micheleti reuniu representantes de entidades civis, autoridades e políticos locais para debater a questão ontem pela manhã. O resultado do encontro foi quase consensual, como o leitor poderá conferir na edição de hoje do caderno Cidade: a comunidade defende a manutenção do programa, porque não quer ver os garotos da Epesmel com salário garantido no fim do mês e acesso à escola profissionalizante transformados em flanelinhas. A pedido da comunidade, a procuradora que determinou a retirada dos meninos da função poderá ponderar e rever a decisão.
Mas o mais importante do episódio não deve passar despercebido: se o centro de Londrina oferece risco aos meninos da Epesmel, é porque a segurança nessa área da cidade é precária. Como não se pode determinar a retirada de todos os londrinenses do centro da cidade, outra polêmica para a qual a Folha está atenta se instala.
Ruth Meira





