Em relatório ora divulgado e atribuído a ''uma auditoria independente'', o Governo do Paraná afirma que a imprensa paranaense publicou (nos dois turnos da eleição) mais registros negativos do que positivos com relação ao então candidato Roberto Requião, que está reeleito. E declara que ''a FOLHA DE LONDRINA seguiu a mesma linha'', porque ''o número de notícias negativas para Requião é ainda maior'', no cotejo com outros jornais. Foram 719 matérias (da FL) tidas como contrárias e 288 do mesmo gênero dadas a Osmar Dias, conforme o relato do Governo. A lamentação se estende a outras avaliações, ocupando 5 páginas de texto e gráficos. Se o documento não tem a assinatura do chefe do Governo, emana de seu sentimento e de sua conhecida maneira de ser, e converte-se numa avaliação do comportamento da imprensa - o que é uma postura de direito, da mesma forma que a imprensa avalia os governos. Mas, sem ater-se ao que é dito nesse relatório sobre os demais veículos de comunicação, este Jornal faz algumas considerações. Primeiro, argumenta com os seus 58 anos de tradição em independência editorial, atestada pela história e pelos leitores - que compreendem muitos hoje bisavós e seus bisnetos figurando na listagem dos assinantes, e nos dados de pesquisa própria. O governador não deve ignorar que por haver sido um candidato à reeleição carregou em sua campanha o ônus do cargo, e isto o expôs naturalmente a críticas dos cidadãos e dos adversários, resultando em mais notícias e comentários nos veículos de comunicação. Não ocorreu a mesma proporção com Osmar Dias - citado no relatório - pela sua condição de candidato estreante. Aconteceu situação idêntica com relação ao candidato Lula, que pela condição de já ser o governante, recebeu muito mais bombardeio da imprensa do que o concorrente. O fato de o governador Requião haver perdido em todas as grandes e médias cidades não deve ter sido coincidência e nem produto da mídia, e sim razões que o governante e uma ''auditoria independente'' devem avaliar, para instrumentalizar o Governo em seu próximo mandato. A FOLHA DE LONDRINA não se molesta com o que está dito no relatório mas não pode deixar de se manifestar, porque o documento do Governo foi tornado público. E o faz não como resposta direta mas em respeito aos leitores, para que não passe em branco esta oportunidade de mostrar - se preciso fosse - que este Jornal já não se pertence mas pertence aos cidadãos do Paraná que o lêem e nele anunciam e têm feito dele um veículo livre, em que podem manifestar as suas opiniões. Bom que haja um jornal no qual os paranaenses têm a certeza de que podem declarar o que desejarem, e que mesmo aqueles que nunca o utilizaram para esse fim tenham a certeza de que, se necessário, podem fazer dele o seu porta-voz. A FOLHA DE LONDRINA não abandona suas campanhas em benefício das causas do Paraná e pode adotar posturas de contundência, mas não assume posições político-partidárias - por profissão de fé e porque não lhe convém mudar. Para fazer isso precisaria ter a autorização dos leitores.

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