A posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva foi um espetáculo da democracia brasileira, marcada pela informalidade e alegria, característica da alguém que realmente ascendeu ao posto máximo da Nação representando legitimamente o povo. Um dos momentos mais bonitos da festa foi quando Lula entrou no Rolls Royce e a multidão foi se aproximando, aos poucos, do carro, para desespero dos seguranças, que não tiveram como conter a presença do povo. Aquelas cenas do carro oficial em meio ao povo, com bandeirinhas de cores verde-amarelo e vermelha, foram sinal evidente da apoteose de Lula e do quanto ele, de fato, é hoje expressão autêntico da alma brasileira.
Houve muitas gafes na festa da posse. Mas tudo isso foi relevado porque somos um povo nada germânico ou anglo-saxão nestas horas. A emoção tomou conta de todos, fazendo o sóbrio Severino Cavalcante, primeiro-secretário da Câmara Federal, quebrar o protocolo e improvisar um discurso, manifestando seu contentamento de participar daquele instante cívico, onde um pernambucano (como ele) assumia a presidência da República.
O discurso de Lula salientou aspectos importantes daquilo que pretende priorizar em seu governo. E quando destacou que o Brasil está, nesse período de sua história, reencontrando-se consigo mesmo, quis afirmar, na realidade, que estamos vivendo um momento privilegiado em que realmente temos um governo popular, com condições políticas de realizar as reformas estruturais necessárias e fazer emergir a verdadeira força cultural do nosso povo, em beneficio de todos. Chegou a hora do Brasil acontecer como Nação em desenvolvimento, que tem tudo para dar certo, porque sabe acolher o novo e conviver com as diferenças.
É interessante notar o modo como Lula se relaciona com o povo. Ele realmente tem respeito para com aqueles que o elegeram. Dá atenção a cada um que se aproxima dele, daí o seu carisma crescentemente contagiante. Foi o caso da moça que quebrou a barreira dos policiais e pediu-lhe para tirar uma foto, ao que Lula (em meio à rampa do Palácio do Planalto) parou e deixou-se fotografar.
Vamos torcer para que toda esta euforia não fique apenas na festa, mas perdure no entusiasmo e na seriedade exigentes pelo trabalho contínuo que o presidente terá daqui para a frente, ao ter de lidar com os imensos desafios que o esperam nestes quatro anos. Tomara a Deus que o Brasil realmente tenha, neste novo quadriênio, o reencontro consigo mesmo, e que possamos ver consolidada a nossa democracia, principalmente no aspecto social. Viva o Brasil!
VALMOR BOLAN é diretor geral da Faculdade Editora Nacional (FAENAC).

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