Jogo de interesses
Todo mês de agosto, o Governo Federal realiza o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O número de inscritos tem aumentado e o Exame, primeiramente criado para avaliar o desempenho dos alunos que concluíam o Ensino Médio, serve muitas vezes para os pais decidirem, mediante o resultado, em qual colégio matricular seus filhos. Um erro.
Seria um bom parâmetro? Creio que não. Explico: o que muitos não sabem é que por trás deste processo de avaliação estão envolvidas muitas questões políticas.
Essas disputas vêm tanto por parte do governo - que na verdade não quer só avaliar a qualidade do ensino, mas sim conseguir números satisfatórios aos órgãos internacionais e consequentemente a liberação de verbas para investimento no Brasil - quanto dos colégios particulares.
Em época de ENEM, os colégios travam uma disputa marqueteira entre seus concorrentes, para garantir por meio de um maior número de alunos e dos melhores resultados, as melhores colocações no mercado educacional.
Muitas famílias, iludidas por números percentuais e propagandas que estampam boas colocações no ENEM, acabam decidindo por escolas que promovem a competição e concorrência entre os alunos, e que pouco se preocupam com a parte formativa destes, isto é, que esses se tornem indivíduos atuantes e críticos em sua vida cidadã.
Muitas escolas lançam mão de meios inescrupulosos, como o fato de selecionarem somente seus melhores alunos para realizarem a prova e oferecerem prêmios para que tirem as melhores notas, conseguindo, com isso, por meio da manipulação dos resultados, se intitularem como as melhores. Não são.
Se não são todos os alunos que participam, como podemos fazer um raio-x da educação nacional através do ENEM? Com tantas possibilidades, fica claro e nítido que o ranking envolvendo esses resultados pode, muitas vezes, não refletir uma realidade.
Hoje, diante desse mundo caótico e conturbado, no qual poucos valores humanos como a ética e a moral ainda são cultivados, cabe aos pais avaliar na hora da sua escolha. Utilizar o ENEM como termômetro não soa como uma boa dica ou iniciativa.
Afinal, mais valeria a escola que só preza a concorrência e converte alunos em números ou aquela que se preocupa em valorizar as relações interpessoais e proporciona aos sujeitos não somente a apreensão do conhecimento, mas também o que fazer com este em sua prática, seja esta cotidiana, imediata, ou no futuro, como com boas noções de cidadania?

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