A farra pública e os arbítrios que não cessam
O Governo e as instituições públicas continuam tratando o povo com descaso, e o desrespeito deste pós-carnaval é o INSS atrasando o pagamento de aposentados, porque sábado, segunda e quarta-feira parecem ter sido considerados feriados, por esse órgão, mas não são. Por isso os aposentados e pensionistas que esperem. Alguns, que recebiam no começo do mês, só irão ver dinheiro quase duas semanas depois. Suas contas, no entanto, não esperam, e assim muitos terão de pagá-las com juros e multas. O INSS é useiro e vezeiro dessa prática, e o faz com a maior desfaçatez, porque as repartições públicas no geral - ressalvados os casos de algumas pessoas conscientes dentro do sistema - não têm consideração ao povo.
Pela Consolidação das Leis do Trabalho aqueles dias citados são considerados úteis, mas isto para os trabalhadores comuns, porque os burocratas devem considerar-se especiais. No Brasil, a comunidade oficial tripudia sobre a população e não tem por ela o mínimo respeito. Veja-se o caso dos cartões corporativos, que irrompe como o escândalo ôde plantão, porque neste Brasil parece não ser possível viver mais de dez dias sem notícias de vergonhas governamentais. Na esfera da Presidência da República é onde mais essa farra pública se manifesta. No INSS, o arbítrio; no Palácio, a gastança sem prestação de contas, porque muitas delas estão encobertas pelo sigilo.
Enquanto isto vai acontecendo, leu-se ontem que o senador suplente Edson Lobão Filho, que assumiu no lugar do pai (designado ministro das Minas e Energia), já entra sob pesada carga de denúncias. Ele está implicado com o Ministério Público, com a Polícia Federal e com a Polícia Civil do Maranhão, sob a denúncia de várias fraudes, e o corregedor do Senado, Romeu Tuma, promete que vai investigar o novo parlamentar. (Alguém acredita?). Um novo escândalo no Senado, que poderia ter sido evitado se a legislação impedisse que alguém sob suspeição assumisse função pública. Quase tudo nos governos tem cheiro de podridão, e o descaso com o povo é muito grande.
Em Londrina, o escândalo de vereadores sob denúncia de envolvimento com a corrupção parece esfriar as investigações, mesmo depois da revelação de novas suspeitas de concussão levantadas pelo Clube de Engenharia e Arquitetura. Empresários convidados a depor na Comissão de Ética da Câmara Municipal recusaram-se a comparecer, e isto vai enfraquecendo o impulso das diligências no âmbito da Casa. Vê-se como é difícil implantar a moralidade na administração pública, nesta República de tanta permissividade.





