Em Curitiba, os vereadores criam mais 50 cargos comissionados, repetindo a dose do que já haviam feito no primeiro semestre, ao contratar 56 servidores (e sem concurso), onerando o gasto público em R$ 1,6 milhão por ano. No total, agora, a conta chega ao dobro. Em Londrina, os colegas criam um abono de R$ 500 para cada assessor parlamentar, ‘‘por tempo indeterminado’’, significando um ônus a mais de R$ 370 mil por ano. É o trem da alegria continuando a sua marcha, impulsionado pelo dinheiro do povo, tão carente em seus atendimentos sociais por parte do poder público. A justificativa, no caso da Capital, é que houve aumento no volume de projetos protocolados, mas um dos membros da casa – contrário às novas contratações – diz que essa sobrecarga foi mínima, não se justificando a necessidade de tantos assessores. Todos sabem que os vereadores fazem pouco, embora se declarem vítimas de tantos pedidos de pessoas carentes. Esse assédio ocorre, mas a maioria não se expõe tanto, a não ser em período eleitoral. Os vereadores sabem safar-se. Certamente que muitos dos problemas sociais, que geram tantos pedidos, seriam eliminados se esses representantes do povo se debruçassem sobre projetos de solução e fossem agentes mais decisivos junto ao Poder Executivo. Mas o que se assiste é a políticas de boa vizinhança entre os poderes, em defesa de questões do próprio círculo e não de alcance social. No caso de Londrina, não se conhece um projeto de grande alcance que tenha emanado da Câmara de Vereadores. Imagina-se que os ‘‘nobres pares’’ ignorem que eles também são governo e que lhes incumbe, igualmente, a administração dos interesses municipais. A discussão e a busca de solução para questões preocupantes como a violência, as favelas e as misérias sociais pertinentes; propostas de melhoria do sistema viário; campanhas para elevação do índice de desenvolvimento humano; formulações estratégicas para melhoria de sistemas; a identificação de entraves ao desenvolvimento – tudo isto e muito mais são atribuições também dos vereadores, em parceria com os demais poderes e com as lideranças comunitárias. A sociedade civil organizada tem sido, neste caso, ainda mais eficiente que os que se elegem e são pagos para tais funções. Escasseia, entre estes, o culto a esse compromisso. Sobra-lhes, então, o tempo para pensar em mordomias sempre maiores, como esta da contratação de mais assessores, nas duas grandes cidades. O fato entristecedor é que eles não se emendam.

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