No último mapeamento da violência nos municípios brasileiros Londrina não tem presença destacada, embora a situação de insegurança persista, pelos muitos assaltos e assassinatos. Mas a possível presença de agentes do PCC na cidade e em outros pontos do Paraná preocupa. Uma ligação telefônica de Londrina para o Rio de Janeiro, que foi interceptada, acionou o alerta das autoridades policiais, porque uma voz masculina falava de extermínios, e a mira é supostamente os agentes penitenciários. ''Já matei um, faltam dois'', esta a ameaça captada e que seria de um integrante do PCC - sigla de Primeiro Comando da Capital, que surgiu dentro das penitenciárias da capital paulista.
Lembra-se que no último dia 22 foi brutalmente assassinado em Londrina o agente penitenciário Francisco Gonçalves, e o fato não ocorreu no recinto prisional mas próximo de sua residência, quando ele chegava de carro com os dois filhos. Está evidente que se tratou de um caso de revide, embora - conforme o relato dos colegas - Gonçalves era um bom policial. As informações são várias quanto à possibilidade de agentes do PCC estarem operando na cidade - e o indicativo é o telefonema - mas dias atrás, antes do assassinato, ocorreu um tumulto de presos na Penitenciária Estadual de Londrina, quando ocorreram ameaças de morte aos agentes penitenciários. Pode ser apenas um conflito doméstico, como os que sempre ocorrem nos presídios, ou mesmo a conexão de Londrina com o PCC.
No universo do crime organizado - que opera inclusive no âmbito interno das penitenciárias e a partir delas, por via das comunicações por celular e da intermediação de visitantes - tudo é possível e nenhuma hipótese pode ser descartada. A possível presença dessa facção criminosa em Londrina intensifica o temor também nas administrações carcerárias, que assim como a população na relação com a bandidagem, está na mira dessa perigosa organização. O assassinato do agente penitenciário foi um sinal. Se os próprios guardiões do sistema carcerário estão inseguros, a sensação de insegurança dos cidadãos aumenta.
Mesmo que a morte do agente não tenha a marca do PCC, a situação de perigo a que estão expostos os servidores das penitenciárias é a mesma, porque eles podem ser mortos no próprio recinto do trabalho ou fora dele, eventualmente pela mão de companheiros de criminosos presos.
O mapa da violência ontem publicado neste Jornal mostra as três cidades mais perigosas do Paraná: Foz do Iguaçu, que é o maior centro turístico do Estado mas está situado numa complexa bifurcação de três países, e mais Guaíra e Tunas do Paraná. Outra revelação alarmante é que Curitiba está mais violenta que Porto Alegre e Florianópolis juntas.

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