O Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo/2014. Nos próximos anos, algumas cidades terão que se transformar em canteiros de obras para atender exigências da Fifa. Rodovias, aeroportos, hotéis, vias de acesso, estádios: tudo deve estar em condições um ano antes do início do Mundial. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, governo e iniciativa privada precisam cumprir metas bem definidas para fazer da Copa do Mundo um evento de sucesso.




Sete anos são suficientes para deixar tudo pronto?
Nós estamos atrasados, mas o tempo é suficiente para correr atrás. A chave para que sejamos bem sucedidos está em fazer algo que nas últimas duas décadas o Brasil deixou de fazer: planejar, pensar antes. Se definirmos os objetivos, estabelecermos as prioridades, teremos sucesso no projeto. É decisivo fazer o dimensionamento das estruturas necessárias, que dá a chance de elaborar orçamentos mais preciso das obras. Se o Brasil utilizar o ano de 2008 para planejar e contratar os projetos executivos de todos os empreendimentos, tanto na área pública quanto na área privada, nós teremos ainda cinco anos para entregar as obras de acordo com as exigências da Fifa.

Corre o risco de acontecer semelhante ao Pan, quando foram previstos gastos de R$ 400 milhões e a conta final chegou a R$ 3 bilhões?
Não podemos repetir o mesmo erro. Sair contratando, construindo, estimar de maneira equivocada os custos porque não sabe direito o que vai fazer. Com os projetos na mão, dá para saber se a obra custa cinco, cinquenta ou quinhentos milhões de reais. Desta forma, é possível viabilizar os recursos, estabelecer um plano de obras. Não adianta fazer como no Pan. O Engenhão, um belíssimo estádio, é uma pérola no meio de um entorno que não foi modificado. Tinha que fazer toda uma reformulação urbanística, modernizar e criar condições melhores para aquela área. Não foi feito isso por falta de planejamento.

Qual vai ser a maior dificuldade de infra-estrutura?
Basicamente todos os itens de acessibilidade, começando pelos aeroportos que irão atender a maioria das pessoas vindas do exterior. Nós estamos com problemas de tráfego aéreo sem Copa, imagine com dois milhões de turistas a mais. Tem que modernizar tudo: pistas, edificações, sistema de check-in, sala de espera, controladores de vôo e por aí vai. Outras dificuldades serão as vias de acesso aos estádios, além dos estacionamentos seguros e confortáveis e do transporte público de qualidade.

Os estádios poderão ser considerados de primeiro mundo ou só terão o necessário para atender as exigências da Fifa?
Reformas bem feitas elevarão alguns estádios a um nível de primeiro mundo, mas outros deles precisarão de reformas muito amplas ou até uma reconstrução.

Do ponto de vista financeiro, compensa mais reformar do que construir um estádio novo?
Depende das condições do estádio, e este levantamento deve ser feito com muito critério. Apenas dois estádios, o Engenhão (Rio de Janeiro) e o Serra Dourada (Goiânia) estão em boas condições. Mas todos precisam de readequações, umas muito extensas, outras nem tanto. Mas não podemos perder esta oportunidade. A Copa é um desafio para todos nós, mobiliza a nação brasileira, e temos que aproveitar esta mobilização para juntar todos os esforços e resolver uma série de carências que temos para em 2015 vermos um país muito melhor.

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