A família Cardoso
''Temos de gostar de quem vence e não de quem perde''. A declaração é do presidente Fernando Henrique Cardoso que, ao lado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, tem sido incansável nos últimos dias em comparar o triunfo do futebol brasileiro na Copa do Mundo às ''conquistas do Plano Real'', de quem os dois são pais orgulhosos, formando uma espécie de ''família Cardoso''.
FHC afirma que a conquista da seleção, assim como o Plano Real, são ''vitórias construídas'' apesar das ''pessoas que não acreditaram''. O presidente silencia sobre a explosão da dívida brasileira, a disparada do desemprego, a retração da renda nacional, o descontrole do câmbio, os tropeços tributários e previdenciários. Cita o tempo todo a ''estabilidade'', manipulando um placar que seria, talvez, de 6 a 1 contra o time que conduziu a economia do País nos últimos oito anos.
Durante encontro com empresários, na quarta-feira, Fernando Henrique ''jogou para a torcida'' e garantiu que até o final do seu mandato aprovará uma reforma tributária, eliminando a cobrança em cascata do PIS e Cofins. Arrancou aplausos da galera há tempos os empresários gritam por providências. FHC tenta marcar um gol salvador nos minutos finais da partida que parece caminhar, melancólica, para a morte súbita.
Malan também pega carona na festa do penta e diz que as conquistas da economia, assim como a vitória no futebol, melhoraram a auto-estima dos brasileiros. Só que, longe do gramado, no campo econômico, os indicadores mostram que, na comparação da seleção de terno e gravata e a verdadeira, que usa chuteiras, o time de Malan está mais para o da fase das eliminatórias ao Mundial do que para este que voltou triunfante da Ásia com a taça na mão.
O presidente não erra quando diz que merece aplausos quem vence. No campo minado da economia brasileira, a torcida anda cansada de levar goleada.
Ruth Meira





