Não é a falta de receita que estrangula quase 60% das prefeituras brasileiras e sim a falta de suficiência, porque elas próprias gastam tudo na sua automanutenção, sobrando pouco ou nada para obras e melhoria dos serviços. Receitas todas têm, por via dos impostos, taxas e verbas federais e estaduais que recebem, mas esse dinheiro mal paga o custo do pessoal, os gastos com instalações e equipamentos, as despesas abusivas e a corrupção. O que ocorre é o erro de se haver transformado tantos distritos em municípios, desmembrando-os das células maiores, e assim eles tiveram de criar sua própria estrutura administrativa, que é onerosa e sempre corrompida.
A constatação da decrepitude da maioria dos municípios, embora já fosse conhecida, é mais uma vez confirmada, agora, pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal. Para saber qual é a saúde financeira de uma prefeitura divide-se todas as receitas pelo número de habitantes. Se o dividendo der R$ 500/ano por indivíduo, essa prefeitura figura entre as miseráveis; de R$ 500 a R$ 750, é pobre; de R$ 750 a R$ 999, está em situação delicada; de R$ 999 a R$ 1.500, é razoável. Acima disso a situação já é boa. Só 20% das prefeituras atingem a marca máxima.
Para atender a interesses de deputados estaduais, visando criar redutos eleitorais, e satisfazer à vaidade da população de lugarejos com pretensão de emancipar-se e aos anseios de mando de chefetes locais, novos municípios foram criados desordenadamente (inclusive no Paraná). O resultado foi que, ao se tornarem independentes politicamente dos municípios a que pertenciam, não puderam sustentar-se, e em quase tudo continuaram dependentes da antiga sede-mãe - caso da estrutura educacional de maior grau, hospitais, telefonia, aeroportos e muitos outros serviços. Porque a própria estrutura administrativa e o empreguismo daí decorrentes, mais os gastos abusivos e as roubalheiras - presentes, sem exceção, em todos os municípios brasileiros - consomem todo o dinheiro.
Já um distrito não tem gastos e usufrui da estrutura do município-mãe, mas quando, pela insensatez das Assembléias Legislativas (que criam os municípios) se ''emancipa'', tem de custear prefeito, vereadores, secretários e todo o pessoal burocrático, mais operários e professores, adquirir ou alugar sedes, comprar máquinas e equipamentos, e aí a comunidade percebe que não houve emancipação alguma e sim mais dependência ainda. Sem contar que perdeu os benefícios que eram oriundos do antigo município-sede. Ambos perderam.
Portanto, não há salvação à vista para esses municípios e nunca haverá dinheiro bastante para eles, porque os recursos que têm são devorados pela sua própria estrutura administrativa, sem servir ao povo, a não ser os apaniguados. Veja-se os históricos das prefeituras e o que se encontra é pobreza, muito esbanjamento e corrupção.
Uma fórmula sábia, embora não se acredite que os munícipes a aceitem, é esses municípios decadentes retornarem à condição de distritos e à célula municipal à qual eram vinculados, dessa forma desonerando-se de custear a própria administração e passando a ter vida melhor, como era antes.

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