A falsa estabilidade econômica
Todos os indicadores econômicos que têm sido apurados pelos órgãos de governo sugerem que vivemos uma economia em desenvolvimento. Porém, os dados, amplamente divulgados, expressam desempenho apenas localizado e acabam falseando a realidade do país, ainda mergulhado em indicadores sociais, estes sim, reais e nada animadores. Os números que convergem para um cenário otimista são os das exportações, a receita e o índice de empregos apontado em registro em carteira - e não, necessariamente, através do aumento de postos de trabalho. Este, aliás, é um detalhe que pode mascarar a informação e, por este motivo, desautoriza ufanismo.
O crescimento industrial também se deu de forma localizada não exercendo suficiente influência na performance macroeconômica, pela qual se extrai o coeficiente da distribuição da riqueza. O mesmo ocorre com o consumo: o crescimento da demanda de bens duráveis ou não duráveis, embora real, tem sua origem no deslocamento do consumo e não, necessariamente, na potencialização do poder de compra ou na demanda agregada de bens. Dentro desse conceito, é provável que a injeção de dinheiro no comércio - que transparece no bom desempenho do segmento de varejo, por exemplo - resulte do adiamento de uma compra maior, ou de um investimento suspenso. Quem não conseguiu trocar de apartamento ou de carro, pelo menos foi almoçar fora com a família inúmeras vezes e injetou dinheiro no mercado de forma mais modesta.
Os parâmetros aferidores da economia não são completos. Assim, divulgados isoladamente os dados apontam para um bom momento, mas essas bolhas de consumo e crescimento tendem a murchar no primeiro impacto de uma crise econômica ou política. Crescimento estatístico sem sustentabilidade não é desenvolvimento nem econômico e nem social. São resultados efêmeros, embora, convenhamos, positivos.
Mas este ano a inconsistência da estabilidade da economia não terá disfarces. E começa a ser ''minada'' pelo setor primário. A crise da agricultura pode refletir no abastecimento e tirar o alimento barato da mesa do consumidor. O presidente da Faep, Ágide Meneguette, alertou dias atrás, que a agropecuária terá mais um ano difícil. Embora muitos agricultores tenham conseguido alongar seus débitos, ainda são devedores e sem capacidade de investir na produção.
Os efeitos diretos da crise no campo são sociais. Ignorada pelo governo, a situação afeta indiretamente a indústria e o comério. Todos os municípios têm sua atividade oxigenada pela riqueza do gerada no campo.
A queda de preços das commodities, o aumento dos insumos pressionando os custos e a queda do dólar afetaram o desempenho da agropecuária. O agravamento do quadro acontece pela soma da política cambial, da queda dos preços internacionais da soja, milho e trigo e por conta da estiagem que atingiu as regiões produtoras. Fatores imponderáveis. O governo nada fez para contrapor seus efeitos.





