A falência da saúde do Paraná
'Hospitais do Paraná estão na UTI', diz a manchete deste jornal, com licença pelo trocadilho. Sem médicos nem recursos, instituições que atendem pelo SUS praticamente fecharam. As que não suspenderam suas atividades estão na iminência. É a situação de grande número de hospitais, como mostra o trabalho da repórter Marian Trigueiros. Agora um número estarrecedor: O Estado do Paraná perdeu oito mil leitos nos últimos anos. Repasses públicos cobrem menos de 50% dos gastos.
A foto de capa desta FOLHA expressa o que é a saúde em alguns (em muitos!) municípios do Paraná: amplo corredor com poucas pessoas aguardando; quase sem ninguém, na verdade. Não que os pacientes já foram atendidos e dispensados. Mas porque talvez a população tenha desistido. O cachorro sim, descansa sem ser incomodado. Mas até ele parece não entender o que fizeram. Ao andar pelos corredores do Hospital Municipal, o único barulho que se escuta é dos próprios passos.
Para não ironizar coisa séria, a pergunta é: O que esses governos estão fazendo? Como permitiram que se chegasse a essa situação? E que antídoto tomam os políticos da região para não se incomodarem com uma situação dessas?
Se a educação é precária, a segurança dá medo e a saúde é o que é, pergunta-se para onde vai tanto dinheiro? (As manchetes em vários jornais no último domingo foram o recorde na carga tributária de 2010). O número de leitos hospitalares caiu em conversão inversamente proporcional ao crescimento da população. Sem falar que o número de idosos aumenta em relação a faixa etária média, pois essa é uma tendência universal.
Os dados da Federação dos Hospitais de Serviços de Saúde do Paraná (Fehospar) também apavoram (ver reportagem em Cidades). Engraçado, não é isso que mostram as propagandas oficiais na TV, certo? Mas alguém disse: Se desligar a TV o brilho do governo apaga. Para quem pensa que os pacientes de cidades menores são atendidos nas sedes administrativas - municípios maiores -, a resposta é não. Exemplo? Pacientes de Santa Mariana levados a Cornélio Procópio dizem que são mal atendidos. No hospital, funcionários alegam atraso no pagamento de um convênio de R$ 200/mês. Quem entende? Alguém tem que alertar o ministro Temporão que essa crise está madura demais para continuar.





