A falácia de faltar verba para professores
Sofisma é o falso com aparência de verdadeiro, e é desse ardil que agora estão se valendo os governadores para não atender à lei que acaba de estabelecer o piso salarial de R$ 950 para os professores de educação básica da rede pública. A alegação é que não há de onde tirar dinheiro para as novas obrigações, acrescidas da necessidade de contratar mais professores - porque com a alteração da jornada de trabalho será preciso aumentar o quadro do magistério.
O que mais o poder público tem é dinheiro, mas como há abuso de gastos com mordomias, inchaço funcional em muitos setores e a sempre presente corrupção, irá faltar para a farra pública se for destinada uma cota maior para a causa do magistério. Representando o pensamento dos governadores, os secretários de Educação de todos os Estados já se reuniram em Porto Alegre (e para essas despesas sempre existe verba) e acenam com a intervenção junto a parlamentares, ao próprio Poder Executivo (mesmo sendo a lei sancionada pelo presidente da República) e à Justiça. Eles alegam que está havendo ingerência da União nas prerrogativas estaduais.
Nem uma palavra sobre diminuir o festival de gastos com as secretarias de Estado, muitas delas desnecessárias e outras abrigando exércitos de funcionários, grande parte dispensável; com as assembléias legislativas, que consomem rios de dinheiro com os salários parlamentares, as astronômicas verbas de representação, as assessorias em grande parte inúteis, as despesas exageradas com veículos e outros onerosos gastos; com as monumentais despesas não declaradas, afora os desvios da ladroeira no geral. Isto corrigido, sobraria muito dinheiro. Conceder benefícios aos professores significa diminuir o aparato dessa festa, por isso a gritaria. Em véspera de eleição, os parlamentares não irão dar ouvidos aos reclamantes, ainda mais contra professores, mas que a Justiça fique atenta!
Não se conhece na história brasileira uma vigorosa cruzada dos governos para economia nos gastos abusivos e para diminuir o tamanho da pança pública alimentada pelo dinheiro do povo, mas basta uma conquista salarial de professores e de serviçais da saúde, da segurança e de outras funções mais úteis ao povo para que os governantes esperneiem. Eles não o fazem por zelo ao dinheiro público (e nem zelo se caracteriza aí, quando as verbas são bem aplicadas em tais atividades) mas para preservar a cota do banquete de que eles se servem à tripa forra. Essa reação dos governadores contra o melhor ganho dos professores é uma rebeldia de farristas.





