Luiz Geraldo MazzaA fábula dos babuínos
A mediocridade da política paranaense, no governo e na oposição, é notória. Percebe-se que a mentalidade imperante é a dos babuínos e não apenas no caso específico do Banestado. Tudo o que fazem só degrada a imagem do banco e ainda querem uma CPI para ver o óbvio: a corrupção e a fraude, que sempre existiram no estabelecimento.
Os babuínos são os símios que usam as próprias fezes para atingir o inimigo, que repete o ritual. Não é a primeira vez que em nome da defesa do Banestado se consegue um máximo de desmoralização. Álvaro Dias dizia que o braço paraguaio, Banco del Paraná, deveria ser vendido, mas ao invés de mostrar que ele ia bem desfilava denúncias que acabaram dando em nada como a história dos cisnes pretos do tempo de Richa. Agora também: fala-se em sanear o banco e o Giovani Gionédis, que não tem a menor afinidade com assuntos fazendários e ainda quer bancar o político, lembra que o Nivaldo Kruger, suplente de Requião no Senado, deve R$ 2 milhões e que não paga de jeito nenhum. Aníbal Khury, outro gênio, sugere que o anúncio da privatização já teria dado prejuízo de R$ 500 milhões, número que não se sabe de que cartola de mágico tirou.
Qualquer disputa de campanário, como a simples nomeação de uma pessoa para a Ciretran de Araucária, põe em choque a bancada federal com a estadual, o que evidencia simplesmente falta de firmeza do governante. Aníbal Khury, irritado e também explorando a fragilidade do governador, ameaça para valer, quer a destituição pura e simples da diretoria do banco, mudanças no secretariado, enfim um festival de bravatas que não leva a lugar nenhum.
Um homem público pode, em certa medida, ser comparado a uma ampola de um determinado remédio: se sua capacidade é para 5 cc não pode receber 10 cc. De Lerner todos estão cansados de saber dos seus limites para a atividade política: não há nele nem a determinação de um Ney Braga, a firmeza de Canet, a intolerância de um Requião ou o jeitinho de Álvaro Dias. Estava habituado a acertar as coisas num módulo menor, complexo é verdade, mas menor, que era Curitiba. Na dimensão estadual tudo muda, é mais complicado, negociado, e ele se revela sem ritmo e disposição para encarar essa barra pesada de apetites insaciáveis no varejo e no atacado. O jeito é surfar com a titica babuína.CROMO
Dá para ver de novo o velho clichê da manhã curitibana: a teia de aranha iluminada pelo orvalho. Só falta gear para que tudo vire arte.
PARADOXO PSDB regional imita o PT nacional: este entrou na Justiça contra as propagandas de FHC e aquele quer conter os abusos de Lerner. É o roto rindo do remendado. Mais uma visão da mediocridade da nossa política e seu oportunismo. Álvaro combate o pedágio nas estradas que FHC não consegue conservar.
AXIOMA Mais dois bancos quebraram ontem. Isso não impede que os políticos da terra estejam empenhados em quebrar outro, embora afirmando que o salvarão.
BIZARRICE Quando Gerson Guelmann fez aquela frase, que acreditou capaz de provocar uma catarse mobilizadora na situação, segundo a qual ‘‘quem teve a oportunidade de fazer e não fez não merece uma nova chance’’ porque ‘‘não existe 2ª época para a incompetência’’, desprezou a hipótese de a maioria não concordar por exemplo com o assalto do pedágio. Neste o governo pode também não ter direito à 2ª época porque a reprovação é nítida.
SPRAY A polícia voltou a ser vista nas ruas. Afinal hoje a PM não está, como no governo passado, cuidando de repartições públicas.- Há, no entanto, queixas de excesso de guardas em bancos, inclusive privados, em bairros pesadíssimos como o da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.- O vereador Gustavo Fruet foi dar uma entrevista na Rádio 550, a Banda B, e quando saia percebeu que haviam roubado o seu carro. É a abertura de Curitiba ao crime numa área densamente ocupada ao lado do Hipermercado Extra. Dado mais interessante: o veículo é daqueles cedidos para os vereadores.- Rubinho Ferreira recebeu pelo fone 225-1821 nada menos do que 79 adesões no primeiro dia à Associação Curitibana de Assaltados e Roubados. Dá pra incluir aí o vereador Fruet. Resumindo: não há em Curitiba uma só família que não tenha algum dos seus integrantes entre os vitimados. Por isso a oposição vai bater no tema e ao governo não resta outro caminho que não o de mexer-se para valer.- Dia 20, Camboa Hotel, em Paranaguá, o secretário do Planejamento, Miguel Salomão (que trabalhou na terra no Banco Central e no jornal ‘‘Última Hora’’), fala sobre o Plano Real diante da crise asiática e as eleições. Aborda ainda a privatização do Banestado. A promoção é da Associação Comercial local e Sebrae/PR.- Filas enormes nas agências da Caixa Econômica Federal no último dia de pagamento do PIS. Bem à brasileira.- Tudo pronto para a reconstrução do Arquivo Público. Regina Gouveia, diretora, tem lutado muito por esse objetivo. Já há projeto e verba. A área não podia permanecer também abandonada. Basta aquele constrangimento da Escola de Música e Belas Artes nas imediações e que acusou problemas na construção.- A segunda parada gay sai dia 27 deste mês da praça Santos Andrade até a Boca Maldita. Ela precede a data do dia internacional do orgulho gay, a 28.-
FOLCLOREInri Cristo, anteontem, no Ratinho Show, levou a audiência à altura do céu que, segundo o entrevistado, é seu domínio. Conta a equipe do Canal 12 que certa ocasião em Curitiba o citado religioso teve um problema policial e quando o entrevistaram só faltou ser humilde ao ponto de merecer o atendimento na condição, como qualquer outro, de ‘‘ser também filho de Deus’’. Um lapso, se isso tivesse ocorrido, porque ele se diz o ‘‘unigênito’’, portanto o próprio Cristo.
APELIDOPintou um apelido moderno em Curitiba: ‘‘piloto de provas de Viagra’’.
GLOSASe todas as fontes de captação de água potável no Paraná estiverem contaminadas, como se diz desde os anos setenta, com organoclorados e organo-fosforados, poderemos dizer tudo, menos que temos cautelas ambientais.
AFORÍSTICOA política no Paraná é de uma pobreza franciscana. Por isso Lerner faz de tudo para mostrar-se não político, esse o seu maior trunfo.

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