Não se preserva empregos a qualquer preço, como em caso de concorrência predatória ou de prejuízo ao meio ambiente, ou quando o produto de uma fábrica é nocivo à saúde pública ou a atividade fere a lei da moral e dos bons costumes. Com essas salvaguardas preservadas, em princípio não há inconveniente em manter a indústria BS Colway, instalada no município de Piraquara (região metropolitana de Curitiba) e que produz pneus à base de carcaças importadas. A fábrica emprega 700 pessoas e, por decisão do Supremo Tribunal Federal, pode resultar fechada.
Hoje o presidente da indústria, Francisco Simeão, vai se reunir com a ministra do STF, Ellen Gracie, para expor-lhe particularmente razões de ordem ambiental, justamente as que levantaram a possibilidade de dano nesse campo e motivaram a decisão de suspender a liminar que estava permitindo a importação de pneus usados. As multinacionais no Brasil produtoras de pneus novos reagem, portanto, ocorre uma briga de mercado.
Quanto ao meio ambiente, é evidente que Simeão dará a versão dele, que não é necessariamente respaldada por órgãos ambientalistas. Argumenta que como as carcaças nacionais não servem para processamento, a cada pneu usado que importa a BS Colway é obrigada a recolher cinco pneus inservíveis nos entulhos internos e dar-lhe uma destinação, como a trituração ou diluição. A indústria destaca esse ponto, demonstrando que, assim agindo, contribui para limpar o ambiente, ainda mais sabendo-se que pneus abandonados são coletores de água da chuva e favorecem a proliferação do mosquito da dengue.
A indústria aponta dois caminhos, caso seja mantida a proibição de importar carcaças: fechamento da fábrica ou mudança para o Paraguai. O governador Roberto Requião defende a permanência da fábrica no Paraná e os empregos, e esta teria sido também a posição do presidente Lula (informado da situação) quando visitou Piraquara em agosto.
Sabe-se que o processo de remodelar pneus não é novo e existe em muitos países, que de sua vez também se valem da compra externa de carcaças, se necessário. A fábrica da BS Colway em Piraquara, que é de grandes dimensões, nunca foi autuada por eventual poluição no processo fabril.
Aparentemente sem contra-indicações, há que pensar-se na manutenção dos empregos. Em país de poucas vagas de trabalho, será preciso também atender a essa demanda, que é política de governo e uma preocupação da sociedade. São momentos em que as autoridades precisam repensar decisões ou, conforme os casos, adequar leis às circunstâncias.

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