Em junho de 1977, um grupo de arquitetos esteve com o então prefeito Antonio Belinati reivindicando a criação de um órgão de planejamento para a cidade de Londrina. Nada mais oportuno para aquele momento, pois delineava-se a implantação do ''Calçadão'' na Avenida Paraná, a transferência da antiga rodoviária, a liberação da área ocupada pelo antigo leito ferroviário e com isso a necessidade de se estudar e ordenar o processo de impacto urbano que essas obras proporcionariam em nossa cidade.
Ao longo desses anos, várias outras obras surgiram de importante significado e foram determinantes aos rumos de crescimento para o nosso município. Poderíamos citar algumas, tais como: a implantação dos conjuntos habitacionais na região norte, o Catuaí Shopping Center, o Terminal Urbano de Transporte Coletivo, a ''Supercreche'', o ''Camelódromo'', o Estádio do Café e Autódromo etc.
Outras propostas polêmicas, como a implantação de estacionamentos para veículos nos subsolos das praças no centro da cidade, a absurda ocupação da área de preservação de fundo de vale, no Lago Igapó 2, pelo subposto do Corpo de Bombeiros, o aterro do Lago Igapó 2, provando que as soluções emergenciais são perigosas e que as respostas mais adequadas são aquelas baseadas em decisões técnicas sustentáveis e na definição clara de objetivos a serem atingidos.
Quantos de nós, cidadãos, e os nossos representantes temos refletido sobre o impacto dessas decisões? Será que as mesmas foram baseadas em pesquisas e investigações mais profundas? Estamos muito céticos para respondermos agora.
Poderíamos ainda citar outras, não tão mensuráveis, mas tão importantes quanto, onde a sensibilidade e o bom senso poderão proporcionar as diretrizes para a ocupação dos espaços pela comunicação visual (placas, outdoors, letreiros, painéis eletrônicos etc) a qual provoca uma grande poluição de informações, nesta desenfreada competitividade na conquista de novos consumidores.
A preservação do sítio urbano, como parte integrante do nosso patrimônio histórico e o resgate da nossa memória cultural, são os nossos legados desta magnífica herança deixada pelos cidadãos que participaram desta trajetória de 67 anos.
O Plano Diretor, aprovado em 1998, necessita de um acompanhamento atento e ágil para os ajustes técnicos que se fizerem necessários pelas intercorrências político-administrativas e o próprio dinamismo que a cidade nos impõe. Quem nos dará essas respostas?
A questão da acessibilidade a qualquer edifício público pelos portadores de alguma deficiência física possibilitando a garantia do direito de ir-e-vir. O nosso espaço urbano está apto a atender essas reivindicações?
Poderíamos ainda citar uma área na qual estamos mais envolvidos, como a saúde, por exemplo. Se nós analisarmos na trajetória dos últimos 25 anos, nas transformações que ocorreram nas proximidades do Hospital Evangélico, junto à Avenida Bandeirantes e o Hospital Universitário na ocupação do antigo Sanatório Noel Nutels, trouxeram mudanças significativas no seu sistema viário, volume de veículos circulantes, instalações de diversos tipos de comércio e serviços que gravitam no entorno desses empreendimentos, sem ainda falarmos na sobrecarga da infra-estrutura instalada (luz, água, telefone, galerias de águas pluviais, esgoto etc). Será que, naquele momento, tínhamos clareza da magnitude dessas intervenções?
Em 1992, no início da administração do prefeito Cheida, portanto 15 anos após aquela primeira solicitação, foi criado o Ippul. Isto foi motivo de satisfação, pois Londrina obtinha um instrumento disciplinador e ordenador do seu crescimento.
Como um ser humano, a nossa cidade precisa crescer educada, organizada, com sólidos princípios éticos, forte caráter, simpática e, por que não,
bem-humorada! Este é o nosso desafio. Querer uma cidade mais humana é pura poesia?
Porém, durante todo esse período, vivemos, como nesse momento, em sobressaltos com as notícias de que esse instituto será extinto. Sendo assim, vimos aqui colocar para a nossa comunidade e aos nossos representantes a nossa defesa na preservação do Ippul. Não aqui solicitar mais um período de sobrevida, como também não, a sua permanência pela mera permanência, mas, pelo contrário, acreditando no seu fortalecimento, no investimento em cabeças pensantes, dissecando nossos problemas crônicos, pesquisando, investigando, ordenando e organizando nossa cidade. Não com uma visão imediatista de resultados, mas respaldado em soluções técnicas sustentáveis e com projeções a médio e longo prazo. É o mínimo que Londrina merece.


- NELSON SCHIETTI DE GIACOMO é arquiteto e presidente estadual da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (AbDEH)
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