Há pouco mais de um mês, quando a Polícia Federal (PF) colocou nas ruas a Operação Lava Jato, a prisão de um homem chamou, de imediato, a atenção dos paranaenses. Era o doleiro Alberto Youssef, que tem endereço fixo em Londrina e o nome envolvido nos maiores escândalos políticos do Paraná - além de uma "respeitável" ficha policial com direito a períodos de prisão na carceragem da PF.
Os grandes escândalos envolvendo o nome de Youssef e a dificuldade que a polícia e a Justiça têm para concluir os processos que envolvem o doleiro são o foco da reportagem principal da edição de hoje, da FOLHA.
A extensa ficha do doleiro em investigações que envolvem políticos começou no final da década de 1990, em Londrina e Maringá, em casos famosos no Estado, como AMA/Comurb, Contas Fantasmas do Banestado e Copel/Olvepar. As acusações vão desde formação de quadrilha, passando por falsificação de documento público, falsidade ideológica até chegar à lavagem de dinheiro.
O que mais causa indignação é a dificuldade que se tem em concluir os processos envolvendo o nome de Youssef. Em Londrina, há um processo tramitando na 4ª Vara Criminal há 13 anos. Em Maringá, o doleiro responde a quatro ações que apontam um desvio da prefeitura de R$ 2 bilhões (valores corrigidos) – também sem decisão.
O doleiro sempre teve estreita relação não só com políticos paranaenses; nomes nacionais também figuram nas investigações da PF. A amizade com o deputado federal André Vargas (PT-PR) é o exemplo mais recente.
Processos que apuram crimes de lavagem de dinheiro e desvio de verba pública que estão parados em diversas esferas da Justiça foram trazidos à tona, novamente, com a Operação Lava Jato e a prisão do doleiro. Espera-se que agora esses processos saiam da gaveta e o dinheiro desviado volte para os cofres públicos e se reverta em benefícios para a população, a maior prejudicada por esses grandes esquemas de corrupção.

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