A expressão da sociedade
Números divulgados ontem acerca da ''eficácia'' da Lei da Ficha Limpa, é um ''banho de água fria'' em quem apostava na iniciativa como um marco na ''limpeza'' da política nacional. O movimento popular responsável pela apresentação do projeto ao Congresso, que previa o veto ao registro de candidatos com condenações em órgãos colegiados, foi apoiado por quase 2 milhões de eleitores brasileiros.
A iniciativa, apesar de contestada por políticos e alguns juristas, ganhou o apoio também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que decidiu a vigência da lei já para as eleições de outubro.
No entanto, até agora, dos mais de 20 mil candidatos que concorrem nas eleições deste ano, ao menos 3 mil - cerca de 15% - tiveram problemas na Justiça Eleitoral. Desse total, o grande número de impugnações se deve à falta de apresentação de alguns documentos no ato do registro. O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, admite que a Lei da Ficha Limpa também foi responsável por impugnações, mas admite, ''não é um número absolutamente expressivo''.
A pura análise numérica da abrangência da Lei da Ficha Limpa não pode ser caracterizada como inexpressiva. Vivemos em uma jovem democracia onde poucas iniciativas nascidas do seio da sociedade tiveram tanta adesão e criaram tamanha expectativa em uma população cansada de ver os sucessivos escândalos envolvendo o desvio de dinheiro dos cofres públicos. E quantos candidatos deverão enfrentar o rigor da lei considerando que a análise dos registros ainda não foi concluída? E os que se abstiveram ainda de enfrentar a Justiça Eleitoral diante do reconhecimento da própria ''ficha-suja''?
Se ao final de todo o processo eleitoral, alguns ''fichas-sujas'' tiverem sido barrados pela lei e outros muitos pelo voto, por meio da conscientização que o movimento gerou no eleitorado, poderemos considerar o saldo extremamente positivo. E que nenhum ato de moralização na política seja considerado inexpressivo.





