A evidência da destruição como protesto de alunos
Há muita evidência de que foi um ato não de vândalos comuns, mas uma ação de alunos rebelados, a destruição da sala de reuniões de um colégio em bairro de Londrina. A mensagem ''vaza dessa escola'', deixada na porta de um armário, é direcionada à diretora de um dos períodos, conforme este Jornal apurou, e demonstra a relação dessa violência com problemas entre estudantes e diretores e professores. Outra marca é o fato de o mais visado pela depredação ter sido esse recinto de reuniões. Ao que tudo indica, não foi, portanto, uma simples ação de vândalos que fazem isto apenas por mórbido prazer.
Alunos ''nos ameaçam simplesmente por sermos mais rígidos em sala de aula para que não aconteça desordem'', declarou à reportagem da FOLHA uma antiga mestra, diante dos escombros da destruição. Ela não vincula um caso ao outro mas sua declaração é um indicativo de que a ameaça tem a ver com algo que os estudantes discordam. Com ou sem razão para discordância, este deve ser o ponto de partida dos educadores para um exame da situação, enquanto as autoridades policiais se encarregam da parte que lhes competem que é descobrir os autores do atentado. De forma alguma justifica-se esse gesto de violência, mas sabe-se que se há alunos concordantes com tudo, há os insurgentes, que se mesclam entre alguns mais conscientes acerca do que consideram reformas necessárias no ensino e aqueles com índole de pura delinquência.
Conflitos podem significar ausência de diálogo e intransigência de uma das partes, ou de ambas, para chegar-se a consensos. É tarefa difícil para os mestres entender-se com os rebeldes, e no geral este é um problema também das empresas e de todas as atividades em que haja comandantes e subordinados. Uma empresa pode demitir quem cause perturbações ou se desentenda com as chefias, mas uma diretora escolar não pode fazer o mesmo com um estudante.
A tarefa do educador é repassar ensinamentos. Ele não tem de ser também um psicólogo, um especialista em relações humanas ou um líder com extrema habilidade para bem conduzir uma diversificada turma em classe, e ainda mais constituída de jovens, cuja vitalidade e rebeldia extrapolam até pelos poros. Por isso, vem se tornando cada vez mais complexa a relação de professor e aluno nas escolas brasileiras. Metodologias antigas ainda prevalecem e também o currículo escolar avançou pouco, e não por acaso as pesquisas demonstram que a maioria dos estudantes tem aversão à escola. E com toda certeza não é por preguiça de estudar, porque eles são bons e ativos em outras tarefas que também exigem esforço físico e mental e dão-se bem com elas. Um ato de violência como este que ora ocorre não é uma questão meramente policial mas implica em muitas perguntas e respostas.





