A eterna felicidade do Natal
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Almir Rockembach 
A economia é a base da prosperidade. A distribuição da riqueza é o alicerce do bem-estar. O trabalho é o maior bem da vida e o pão é a manutenção da própria vida. Por que ações impiedosas deixam o homem sem trabalho, sem pão, sem vida? A síntese da lei é o amor. O amor a Deus, o amor ao próximo. Não se ama a Deus, se não se ama o próximo. E o próximo é este que está aí, bem à sua frente, ou o outro que está ao seu lado, e assim, todos os demais que estão à sua volta, e também, àqueles que você encontrar pelo caminho.
No universo das disputas econômicas, observamos que os instrumentos de ação social submetem-se a um regime tutelado pela avareza. Poderosas oligarquias, untadas pelo desejo infinito de especular, controlam governos debilitados que permitem a opressão por um processo interminável de concentração da riqueza.
O que é mais importante: aumentar a renda dos ricos ou a dos pobres?
Os fatos revelam que as rendas se concentram pela compressão do salário. O salário mínimo pode ter sido um dia instrumento de uma política econômica qualquer. Todavia, não deixou de ser uma afronta ao trabalhador, que sempre foi molestado com uma remuneração de difícil sobrevivência. Eis o milagre da resistência de um povo heróico, que se dizendo retumbante, assiste passivamente a derrocada do seu salário. O custo de vida vai sendo maquiado por indicadores fajutos e, na ânsia de atender imposições duma corporação deliberativa, sustenta idéias contrárias aos interesses nacionais.
O que é mais importante: repartir a riqueza ou distribuir a miséria?
Os dramas da sociedade decorrem das ações de governo que interagem pelo improviso. A submissão das administrações públicas que se sucedem impossibilita uma ação planejada com a visão de longo prazo. É preciso pensar e repensar o Brasil por inteiro. A ação política que se viciou nas prerrogativas de fabricar privilégios vai assitir ao seu fim. Ela revela uma estratégia no sentido de evitar transformações estruturais e, ao resguardar os interesses de uma minoria, impede o êxito de um grande processo de transformação socioeconômica que beneficie o povo brasileiro.
O que é mais importante? A submissão de muitos ou a coragem de poucos?
O patriotismo é um sacramento. Somos hoje filhos daqueles que ontem morreram pela Pátria na sua profissão de fé. Precisamos agora aprender a viver por ela, e viver com dignidade! Para isto é importante que a moralidade não se desgarre do direito. Por esse fundamento será possível reconstruir o prestígio das instituições e restabelecer o respeito que essas devem dispensar ao povo. Precisamos tornar permanentes os embates ao obscurantismo, para que não se aprofunde a desilusão nacional acerca da possibilidade de retomar em nossas mãos o destino do Brasil.
O que é mais importante? A consumição ou o discernimento?
A força mística que golpeia a razão através do terrorismo fiscal, mantenedor dos governos sem limites, terá que ser rapidamente contida. O peso do Estado no bolso do trabalhador e nas costas do empresário interage obliterando os caminhos do desenvolvimento. Não pelo que se arrecada, mas pelo que se devolve. O Estado não pode golpear a sociedade com romantismos. O problema do tributo está na destinação dos valores arrecadados. Há muito tempo tem servido apenas para manter o sorriso largo dos financiadores da dívida pública impagável. Regras estabelecidas em contratos permite ao senhorio a transmutação dos verdadeiros propósitos da ação fazendária. A função distributiva que acalenta a razão do tributo simplesmente não existe mais.
O que é mais importante? Reconstruir ou remendar?
A minha profissão de fé nesse manifesto se reveste das convicções que tenho, quanto à superação dos obstáculos que impedem o desenvolvimento do Brasil. Tudo depende apenas que Deus nos faça despertar este gigante secular, adormecido em berço esplendido. Precisamos ficar atentos e reconhecer as nossas potencialidades. Vamos identificá-las e saber do que somos capazes. Habitamos o país mais privilegiado e rico do planeta. Então as nossas potencialidades são muitas. São maiores do que as de todos os outros e, portanto, não precisamos depender deles. Somos independentes, livres e soltos. Levantemo-nos, vamos à luta. Vamos reconstruir o Brasil para nós e para nossos filhos. Vamos honrar nossos pais e dignificar os nossos netos, para que todos sejamos sempre muito felizes em todos Natais que ainda virão.
- ALMIR ROCKEMBACH é economista em Londrina


