A estúpida violência das torcidas
A Copa do Mundo de 2014 ocupa a pauta política e as principais notícias da imprensa brasileira. Muito se fala no atraso das obras dos estádios que sediarão os jogos e das obras de infraestrutura para receber o maior evento do futebol mundial, mas um fato ocorrido no final da semana passada em São Paulo trouxe à tona outro ponto que o Brasil precisa se preparar: a violência entre as torcidas organizadas.
No dia 25 de março, pela manhã, cerca de 300 integrantes de torcidas organizadas do Corinthians e do Palmeiras se enfrentaram em uma avenida da zona norte de São Paulo, em uma confusão pré-agendada pelas redes sociais deixando dois jovens mortos e pelo menos seis feridos. Em Fortaleza, no mesmo dia, torcedores de Ceará e Fortaleza também entraram em atrito. No Paraná, em dias de Atletiba, sempre há confusões nas cercanias de estádios ou nos terminais de ônibus.
A primeira medida punitiva tomada pela Federação Paulista de Futebol ainda é tímida. As duas torcidas, Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde, estão proibidas de entrar nos estádios até que sejam apurados os responsáveis pela briga que resultou nas duas mortes. Entre outras palavras, os membros das duas torcidas organizadas poderão ir ao estádio, mas sem camisetas, adereços e faixas que identifiquem a organização.
Casos de violência como esses deveriam ser punidos exemplarmente. Nada mais justo que todas os envolvidos no confronto - mesmo que centenas - fossem proibidos de frequentar os estádios em dias de jogos, devendo se apresentar nas delegacias de polícia uma hora antes das competições e somente sendo liberados uma hora depois da partida encerrada. É o que manda o Estatuto do Torcedor. Faz-se urgente ainda o cadastramento de todos os membros das torcidas organizadas como forma de identificar aqueles que cometem violência dentro e fora dos estádios. Além disso, é preciso que a polícia também se prepare para prevenir os confrontos como o de São Paulo, local tradicional de choques entre os torcedores.
Tragédias como a do último dia 25 afastam dos estádios as pessoas que realmente gostam de futebol. Infelizmente, esses bandos de criminosos que se infiltram em torcidas organizadas se encarregam de levar o terror e o medo para os estádios e para as ruas em dias de jogos. Somente punições severas e a fiscalização dessas pessoas podem fazer com que batalhas como as de São Paulo não se repitam.





