O ser humano busca meios efetivos para prevenir e curar doenças. São inúmeros medicamentos e estudos desenvolvidos para proteger o que há de mais valioso para qualquer pessoa: a vida. No entanto, além das descobertas científicas, há quem defenda a necessidade de investir na espiritualidade para manter a saúde em dia. Outro fator que pode colaborar com o bem estar físico e emocional é o pensamento positivo.

A farmacêutica especialista em saúde coletiva e da família Regina Ulian Peron garante que a cura de enfermidades se faz por um caminho multidimensional. '''É preciso envolver os tratamentos científicos tradicionais, o emocional e também o espiritual''. Segundo Regina, os profissionais de saúde precisam considerar a espiritualidade para qualificar o atendimento. ''Os primeiros a ganharem com isso são os usuário'', diz.

De que forma a espiritualidade pode contribuir na cura de doenças?
É um dos meios para o ser humano ultrapassar seus limites no caminho para a melhora ou cura das enfermidades. Indivíduos que investem numa vivência espiritual estão mais protegidos contra alguns distúrbios e doenças e possuem melhor saúde. O argumento é racional. As pessoas que exercitam sua espiritualidade correm menos riscos nas uniões, têm mais esperança, vivem mais em comunidade, possuem estilos de vida mais saudáveis, fumam e bebem menos, têm decisões mais conservadoras e mais atividades de lazer e requerem menos os serviços de saúde.

E existe relação entre espiritualidade e religião?
A espiritualidade é um conceito mais amplo que religião. A religião é apenas uma das formas de expressar a espiritualidade. Quando bem vivenciada, a espiritualidade estimula um interesse pelos outros e por si, dá sentido e significado à vida, nos torna capazes de suportar sentimentos de culpa, raiva e ansiedade. Há uma relação positiva entre saúde e o bem estar espiritual, sendo este ligado a uma religião ou não.

O fato de pensar positivo colabora na prevenção e cura de enfermidades?
Estudos demonstram que o pensamento positivo, o estar de bem consigo mesmo, ter a vida centrada, com um direcionamento, sabendo onde se quer chegar e como caminhar até lá, equilibra o nosso ser total. A espiritualidade entra justamente nesse ponto. É um ver a vida de forma mais simples, perdoar mais, ajudar mais o próximo. Esta conduta de vida nos permite estar com o sistema imunológico mais equilibrado, com o emocional mais resolvido e encarar os fatos da vida, como a morte ou a doença, com mais naturalidade. A cura se faz por um caminho multidimensional, que envolve o físico, os tratamentos científicos tradicionais, o emocional e também o espiritual.

Os médicos, além de pensarem no bem estar físico do paciente, deveriam considerar o lado espiritual?
Na década de 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) despertou para o interesse em aprofundar as investigações nessa área, com a inclusão de um aspecto espiritual no conceito multidimensional de saúde. Acredito que os profissionais de saúde podem utilizar-se da espiritualidade para qualificar o atendimento ao paciente, uma vez que a espiritualidade torna as pessoas mais acessíveis, pacientes, receptivas. O primeiro a ganhar com esta prática é o usuário do sistema de saúde, ou seja, todos nós, pois ainda hoje só procuramos os serviços de saúde em busca da cura e não para a prevenção das doenças, o que precisa ser transformado.

Mas é possível humanizar o atendimento no sistema de saúde brasileiro?
O exercício e a prática da espiritualidade pode ser um caminho de fácil acesso e que pode não gerar custos ao sistema, pois se refere a práticas pessoais ou em grupo a serem exploradas e valorizadas. A prática da medicina pode ser a melhor área para a ciência e a espiritualidade se integrarem. A exploração deste campo oferece aos médicos a oportunidade de melhorar o cuidado ao seu paciente.

De modo geral as pessoas estão bem espiritualizadas?
Elas estão muito necessitadas de viver uma espiritualidade. O número de doenças existentes, os altos índices de depressão, suicídio, dependentes químicos, nos indicam isso. São indivíduos que querem, mas não investem nesse aspecto da vida.

E por que não investem?
Por diversos motivos: falta de tempo, de investimento em si próprio, de auto-estima, falta de crença, de um bom líder espiritual, falta de confiança nos líderes espirituais, entre outros.

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