Li o artigo do jornalista Walmor Macarini, publicado no último dia 6 no ''Espaço Aberto'' sob o título ''Viver em Espiritualidade'', e gostaria de aqui fazer alguns comentários sobre o referido tema.
A busca por transcendência espiritual sempre existiu desde os primórdios da vida humana na terra. Deus quando nos fez, colocou em nossos corações anseio por valores que estão além do concreto, valores eternos (abstratos), que são concernentes ao próprio Deus (ver Eclesiastes 3:11). Entendemos, porém, que tal busca reflete a realidade contextual de cada época, e que, portanto, acontece de diferentes formas de tempos em tempos. Em outras palavras, o que estou querendo dizer é que as diversas expressões de vida espiritual dos seres humanos nada mais são que ecos de um determinado tempo, época e circunstâncias vividas por estes.
Na Idade Média, por exemplo, homens e mulheres concebiam suas relações com Deus a partir do modelo das relações existentes entre o rei e seus vassalos. Por outro lado, com o advento dos tempos modernos foi desenvolvida a utopia da ''antropologia triunfalista'', ou seja, o homem como senhor de seu próprio destino, capaz de conduzir a sociedade para quaisquer fins idealizados e determinados por ele, erigindo, assim, uma espiritualidade extremamente personalista de dominação em relação ao sobrenatural (Deus) (tal utopia teve sua queda com a eclosão da primeira guerra mundial).
A visão de Walmor Macarini reflete bem as instâncias do tempo presente. O narcisismo individualizante, bem como o universalismo, invadiram a mente do homem e da mulher do século XXI, com a relativização da verdade e a busca de Deus dentro de si mesmo, com um agradável discurso que isenta as pessoas da culpa e do engajamento, tanto moral quanto social, produzindo uma cultura impessoal, massificante e ilusória.
Negar a espiritualidade em sua dimensão real e histórica como relação entre criador e criatura, é negar a essência daquilo que verdadeiramente se entende por espiritualidade. O grande erro das pessoas, a meu ver, está em não reconhecer que nós, seres humanos, só encontramos nossa verdadeira identidade humana nos relacionando com o criador como criaturas, e não o contrário.
Concordo que ''viver em espiritualidade'' não significa deixar de usufruir das alegrias, do fruto do trabalho, e de certos prazeres da vida, desde que reconheçamos que tudo isso é dom de Deus, pois é Ele quem nos dá a vida e tudo o mais.
O significado da vida brota da certeza do amor de Deus pela humanidade, e a verdadeira espiritualidade nasce como resposta de uma relação saudável e sem rupturas com Deus e com as pessoas.
JONATHAN MENEZES é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina e membro da Oitava Igreja Presbiteriana de Londrina

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