Após as eleições, num primeiro estágio, a frase dita pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva demonstrava a realidade daquele momento. Sai um presidente ligado as elites dominantes, entra um presidente vindo da classe trabalhadora. A democracia realmente levantou a esperança como uma bandeira a ser tremulada nas mãos de todos cidadãos nacionais.
A transição se instalou e alguns nomes se destacam dentro da política a ser promovida pelo meu e agora ''nosso'' presidente. Digo isso pois ele teve meu voto; eu tinha esperança e não tive medo!
E continua a transição, e um homem, dito forte dentro do quadro do novo governo, vem de Ribeirão Preto e é declarado Ministro da Fazenda. Ele é do PT, partido criado por trabalhadores, mas seu discurso é o mesmo daqueles que se encontram saindo do governo.
O modelo econômico será mantido, diz o ''forte homem'' de Lula. Acena em manter a política de juros altos para conter a inflação (inflação contida em uma jaula junto com o crescimento econômico). Diz que teremos um novo projeto para o País, crescimento sustentado, reforma tributária e previdenciária. O mesmo blá blá blá de sempre.
Digo agora: estou com medo! Não o medo de Regina Duarte durante as eleições, mas o medo de ver as mesmas coisas acontecerem que tanto atrapalharam e atrapalham o nosso País. Medo de ver, daqui algum tempo, o emprego informal continuar a crescer por falta de incentivo à produção, pois é melhor investir na especulação que investir para produzir riquezas através do trabalho. O lucro dos bancos vem de onde? O emprego no setor financeiro cresce? Medo de ver os direitos trabalhistas ainda serem chamados ''vilões'' do emprego, quando na verdade uma reforma previdenciária resolveria esse problema. O 13º salário, férias remuneradas, FGTS, aviso prévio, horas extras, entre outros, não são a carga maior para o empresariado, mas as contribuições ''sociais'' atreladas ao salário do trabalhador são.
Sem ser pessimista, avalio: discorrer sobre os meus medos após as primeiras impressões do novo governo, seria motivo de um livro. Cadê você Regina Duarte? Eu também estou com medo!!!
PAULO ROGÉRIO SANCHES é advogado em Londrina.

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