Com objetivo de fazer a economia voltar a crescer, incentivando o consumo e animando os empresários, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros do País para 8,5%. É o menor patamar desde que a taxa Selic passou a servir como base para o rendimento das aplicações financeiras na década de 1980. Economistas e fontes do próprio governo acreditam que há espaço para taxas ainda menores, podendo chegar a 7,75% até o final de 2012.
  A queda dos juros para 8,5% é uma resposta positiva às cobranças da sociedade e foi possível porque o Comitê de Política Monetária (Copom) considerou que neste momento não há sinais de risco de uma trajetória crescente da inflação. Importante lembrar que esse patamar da taxa de juros fez valer a nova regra da poupança, que atrela o rendimento das novas cadernetas ao equivalente a 70% da Selic. Uma consequência que ainda deverá ser medida nos próximos meses pelo mercado.
  O Brasil possui a terceira maior taxa real de juros do mundo, ficando atrás da Rússia e da China. Desde agosto do ano passado, o Banco Central está reduzindo gradativamente os juros, porém, mesmo assim os indicadores mostram que o crescimento da economia vem sendo bem modesto.
  Espera-se que a nova Selic beneficie a indústria nacional, o comércio e outros setores. O estímulo ao consumo é importante neste momento, em que o Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela tímido crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2011. O maior destaque foi a indústria, com crescimento de 1,7%. Já o setor de serviços, incluindo o comércio, expandiu 0,6%. O PIB agropecuário foi o que mais decepcionou, caindo 7,3%.
  Também diante do cenário externo instável, a decisão do Copom de continuar a política de redução da Selic é acertada, pois a crise financeira dos países europeus exige que as decisões do Banco Central sejam estruturantes e não apenas paliativas.

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