Em 2003 o Governo Lula anunciou o ''espetáculo de crescimento'', do qual ninguém já se lembra, porque não aconteceu, convertendo-se apenas num ''espetáculo de discurso''. Agora, depois de três adiamentos, espera-se pelo pacote do segundo mandato do presidente Lula, que deverá ser anunciado nos primeiros dias do novo ano. A razão de ir adiando o anúncio é, segundo Lula, porque ele quer ''pensar melhor as coisas''. Estranho, porque o hoje presidente da República teve quatro campanhas eleitorais para pensar o Brasil paradisíaco que emergeria de seu comando.
Quatro anos de mando também não serviram para, na prática, pensar e executar, e depois da reeleição de outubro ainda não se viu o resultado do tanto pensar. Tempo demais para uma nação que tem pressa e que depende bastante - embora não inteiramente - de decisões governamentais, ou ao menos da ausência daquelas que só atrapalham. Se antes o nome era ''espetáculo de crescimento'', agora Lula fala de ''destravar o desenvolvimento''. Esse destravamento é necessário, mas uma marca forte deste Governo é que nunca existiram projetos consistentes para uma arrancada de crescimento. O que não se faz com meras palavras.
O novo pacote só terá conteúdo se não for mais que um simples embrulho e contiver esses projetos, porque sem eles, milagres não acontecem. Com crescimento que hoje só supera o do miserável Haiti no continente, é mais do que urgente que algo revolucionário desponte no Planalto Central. Mas, a basear-se no histórico destes anos de governo petista - e petista ao menos no nome, porque hoje é uma mescla de muitas correntes - a expectativa não é de causar grandes esperanças. Pela razão de que coisas grandiosas só emanam de fontes de natureza correspondente.
Os economistas erram ao afirmar que com a redução de alíquotas tributárias o Governo terá de arrochar em outros setores. Isto pode ocorrer se o Govenro for insensato, mas com menos sangria de impostos as fontes de produção respiram um pouco mais aliviadas e crescem, por disponibilizar de mais dinheiro, gerando o fenômeno natural da melhor receita tributária.
Com uma política paralela de reduzir os excessivos gastos da máquina pública - que no Brasil é uma verdadeira orgia - tirar menos moeda do meio produtivo por via de menos imposto opera a consequência de gerar mais produção e portanto mais movimentação econômica. A parte da receita vem como consequência, e uma parte sadia, porque originada da própria riqueza e não do arrocho que suga e exaure. Vem aí o pacote de ano novo, mas a população só deposita confiança quando começar a ver bons resultados.

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