À espera de um milagre
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de julho de 2021
Amegilda Neves de Almeida Oliveira 
Estamos passando por um momento tão difícil que parece não ter solução, e infelizmente pela primeira vez penso que nosso país não têm perspectiva de futuro, pois decisões equivocadas tomadas por nosso governante máximo está causando muita dor, revolta e um sentimento de impotência perante esse vírus que já ceifou a vida de mais de 500 mil brasileiros.
Ficamos discutindo quem têm razão, quando sinto que ninguém a tem. Esse polarismo político em que estamos me leva a analisar onde vamos parar, pois se critico os desmandos, o negacionismo, a intolerância, sou de esquerda. E se não aceito a corrupção que assolou nosso país, sou da direita. Não aceito e nunca vou aceitar os “esquemas”, as “máfias”, com a desculpa que é assim que funciona a política, como se fosse “normal” desviar recursos públicos, do menor que seja, para bem próprio, da família e de amigos.
Parece que estamos com vendas nos olhos e não queremos enxergar o que está na nossa frente, essa inércia que nos paralisa, gerando um sentimento de revolta e de repente sinto que estamos simplesmente à espera de um milagre. Que milagre? Quando muitos têm é a vontade de sempre se dar bem, independente se estão levando vantagem em cima e nas custas de muitas vidas, como se vidas humanas não importassem, mas sim elas importam.
De pequenos atos de corrupção aos grandes não vejo diferença, muitos dizem não “gosto” e não me envolvo em política, mas votam por favores para se beneficiar, acabam por ser engolidos por esse sistema que está acabando com a nossa confiança e a esperança. E quando perdemos a esperança, perdemos a fé no ser humano, que é capaz de fazer tudo para “estar” no poder pelo simples fato de querer se beneficiar financeiramente e moralmente, como que se estar no poder o tornasse um ser mitológico, imbatível.
Quando vejo que muitas vidas poderiam ter sido salvas, mas não foram, quando vejo que o fanatismo que assolou nosso país está nos levando a uma caminho sem volta, tento enxergar uma luz no fim do túnel, nem que seja uma pequena claridade, que possa derrubar essa venda dos nossos olhos. Que possamos analisar os fatos sem fanatismo, mas na luz da ciência. Aí, quem sabe, retornaremos ao nosso cotidiano, de uma forma diferente, tendo de volta a esperança no ser humano, e não em “salvadores da pátria”, e que possamos vencer essa crise, superando nossos obstáculos com dignidade e principalmente com empatia.
Amegilda Neves de Almeida Oliveira (professora) Florestópolis
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