A escola segundo o interesse de cada aluno
Deixar desabrochar na criança aquilo em que ela demonstra mais capacidade. Esta e uma nova metodologia de ensino que está sendo experimentada não no Brasil mas em Portugal e que foi demonstrada em Londrina pela educadora portuguesa Fátima Pacheco. O experimento realiza-se na Escola da Ponte, próxima da cidade do Porto, e chegou a ser citado e elogiado pelo renomado educador e escritor Rubens Alves. Esse sistema nada tem do que se imagina uma escola convencional.
Cada vez mais vêm sendo discutidas diferenciadas propostas de ensino, especialmente para crianças e adolescentes, como forma de despertar-lhes o interesse. Porque eles se mostram cada vez mais desatenciosos com os estudos, a ponto de até rebelar-se contra os professores e mesmo agredi-los. No método dessa escola portuguesa não existem disciplinas e os alunos são divididos por classes, podendo escolher aquilo que desejam estudar. Os planos de aulas são organizados por eles mesmos e o que a priori pode-se imaginar uma quebra de ordem, está dando certo.
A educadora qualifica como ''escola dos sonhos'' essa inovação, ressaltando que é uma resposta ao modelo tradicional, que trata todos os alunos como iguais. Mas diz que eles não são assim, porque ''cada um tem seu ritmo e seu interesse''. É uma tendência das pessoas mais velhas prenderem-se a modelos antigos, e essa nova proposta visa a partilha das dificuldades e também das vitórias. Ela exemplifica que as escolas são iguais em todo o mundo e que as crianças vieram sendo formatadas segundo um tipo de vida que não é igual para todas, nos dias atuais. ''Não siga esta carreira porque não dá dinheiro'', é um conselho dado à exaustão e seguido por muitos, o que pode destruir vocações. Mas pela metodologia da qual se fala é possível conciliar as duas coisas, sem desvalorizar uma em favor da outra. A proposta é lutar contra os rótulos sedimentados e explorar o que cada aluno tem de melhor, porque eles são diferentes entre si. Esse sistema certamente estimula o estudante e o faz gostar mais da escola, que passa assim a ser um lugar mais agradável para ele.
No caso do Brasil já está se formando um consenso, entre os pedagogos vanguardistas, de que é preciso rever as metodologias de ensino. Porque, ao que tudo indica, o modelo tradicional está chegando a um ponto de exaustão. A meta é produzir, por via (também) da escola, um indivíduo mais voltado para a realidade atual, que seja mais solidário e, portanto, menos competidor no sentido predatório contra aqueles que qualifica de concorrentes.





