O processo evolutivo que a humanidade experimenta coloca a educação como a âncora deste milênio que se inicia, no qual os métodos de ensino sofrerão profunda mudança (para melhor, Deus queira!). Segundo especialistas, o professor do futuro deverá possuir habilidades de diversas áreas profissionais, uma vez que a Internet fará parte do cotidiano escolar e as aulas serão ministradas on-line. O novo professor será um empreendedor a gerenciar conhecimentos e desenvolver a criatividade nos alunos, despertando-os para uma nova visão da sociedade. Em resumo, um construtor de pessoas. As salas de aula serão uma espécie de oficina do conhecimento, dando fim ao arcaico enfileiramento de cadeiras e carteiras.
Essa mentalidade futurista levou o MEC e as secretarias estaduais de Educação a deflagrarem ampla discussão acerca das novas metodologias requeridas pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB), a chamada Lei Darcy Ribeiro. Seguindo a mesma trilha a Unesco (Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) se inspirou no filósofo grego Platão para elaborar um protótipo da escola do futuro: ensinar a viver, a ser, a conhecer e a fazer.
Outra discussão envolve o conceito de escola-cidadã, aquela que visa incutir no aluno a ética e os valores sociais. Poderia ela assumir o papel da família na educação do indivíduo? Possibilidade absurda e socialmente inaceitável.
Por outro lado algumas mudanças introduzidas no ensino público parecem beirar a demagogia, como os projetos de aceleração - no Paraná popularmente denominados correção de fluxo. Como quase tudo que leva a marca do poder público acaba um dia indo mal, ações como essa têm recebido críticas bombásticas em razão de sua deficiência pedagógica. Projetos semelhantes encabeçados pela iniciativa privada e por ONGs têm dado certo, inclusive recebendo reconhecimento internacional; o Instituto Ayrton Senna e a Fundação Bradesco são algumas das organizações não-governamentais que conseguiram diminuir a evasão escolar, incentivar os jovens e reorientá-los social e profissionalmente. Mesmo assim alguns Estados e municípios apostam em ações do tipo Bolsa Escola e Da Rua para a Escola, que têm dado bons resultados.
Quando a TV, o videocassete e o computador aportaram na escola houve muita controvérsia porque a tecnologia que com eles se pretendia dispor à educação não fazia jus à missão pedagógica por serem apenas instrumentos de auxílio ao professor. Entretanto o uso das mídias como ferramenta de ensino é um processo natural; o advento da Internet fez alavancar o ensino a distância, que já fora a coqueluche de quem não dispunha de tempo para complementar os estudos. Os antigos cursos por correspondência estão cedendo espaço para o que estão chamando de web education, ou seja, educação eletrônica, já presente em diversas regiões do País. O próprio MEC já dispõe de sua versão on-line para o ensino superior, a UniRede, vinculada à Universidade de Brasília. Queiramos nós ou não a vida ‘‘pontocom’’ já faz parte do nosso cotidiano. Daqui há pouquíssimos anos nada faremos que não seja plugado na rede; e a educação está inserida nesse contexto. Talvez tenhamos web-escolas.
Ainda que a maior parte dessas projeções futuristas seja mera especulação é inegável que a educação esteja atravessando uma metamorfose e, pelo que se vê, caminha para o fim do ensino presencial, este com lousa, giz e carteiras. Quem viver verá.
- EDUARDO BATISTA DE ALMEIDA é funcionário público estadual e acadêmico em Administração em Comércio Exterior pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (Fecea)

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