Cidnéia Aparecida Dias, 39 anos, participou recentemente de um concurso público, em Cambé, que abriu 40 vagas para mulheres e 140 para homens, na área de serviços gerais.
Cerca de 1.500 pessoas enfrentaram a competição. No caminho dos interessados havia uma ''provinha'', para a qual, segundo os organizadores do concurso, ''só precisa saber ler e escrever''.
A prova, no entanto, exigiu muito mais do que o básico, como conta Cidnéia, que tem o primeiro grau completo. ''Eram questões de português, matemática e de conhecimentos gerais, que só quem fez a quinta ou a sexta séries teria condições de responder''. Um exemplo da prova de conhecimentos gerais: ''Quantos países existem na América do Sul?''.
Com 86 pontos na prova escrita e 10 na prática, que consistia em limpar o melhor possível uma sala de aula em uma hora, Cidnéia aguarda apenas os resultados dos exames médicos para começar a trabalhar no novo emprego.
O salário vai ser menor do que o rendimento que obtém trabalhando como diarista, mas compensa, segundo ela avalia. ''Pelo menos asseguro os direitos básicos, como registro em carteira e fundo de garantia''.
O caso de Cidnéia, que começou a trabalhar com 15 anos de idade, em casa de família, mostra bem como as exigências do mercado, em relação à escolaridade, estão aumentando, mesmo para aqueles trabalhos considerados mais simples.
No caso dela, casada há 15 anos e com dois filhos, uma menina de 13 e um menino de 9, ajudou muito ter uma experiência mais diversificada, já que também atuou em indústria, como fiandeira, e em hospitais, como copeira.
Outro fator decisivo foi sua forma de ver a vida, que implica em se manter ativa, participante e atualizada.
''O serviço dentro de casa é rotineiro e cansativo e como a gente é pobre, não tem lazer, só fica dentro de casa vendo tevê, trabalhar fora é uma oportunidade de distração e de aprendizado.''

mockup